XI ENCONTRO NACIONAL E ​IV ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE O BEBÊ - 2018

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Resumos dos trabalhos

Título do Trabalho Autor principal Co-autores Resumo
"Diário: Primeiras Histórias": Ressignificação das vivências de pais acompanhantes na unidade de terapia intensiva neonatal Yamamoto G.T. Costa, P.B., Chiquetto, C.M., Nogueira, J.A.A. O projeto "Diário: Primeiras histórias": Ressignificação das vivências de pais acompanhantes na unidade de terapia intensiva neonatal, consiste na construção de um diário pelos familiares de bebês internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, em que através da escrita e do compartilhamento de esperiências em grupo, ocorre a ressignificação das vivências frente à internação e o registro das histórias iniciais. Um bebê que precisa de internação em uma unidade especializada já tem sua história atravessada por uma separação precoce, necessitando assim, de ajuda para compreender o mundo ao seu redor; os bebês têm direito e necessitam saber de sua história. Observa-se no cotidiano da internação, que muitas vezes os pais dos bebês internados acreditam ocuparem um papel secundário durante a hospitalização, e que a sobrevivência depende do cuidado de profissionais e do maquinário. Estes pais podem apresentar dificuldade de exercer a parentalidade dos bebês, assumindo posturas passivas frente á internação. Objetiva-se promover o protagonismo, o fortalecimento do vínculo e a melhoria da qualidade de vida das famílias e seus bebês e contribuir para o modelo assistencial humanizado, segundo a Política Nacional de Humanização, através de atividade em grupo que proporciona autonomia, criatividade e sensibilidade aos usuários. Os grupos ocorrem semanalmente com a participação da equipe multiprofissional, são abertos e com a duração de uma hora e meia. As mães e pais participantes dos grupos são convidados pela equipe e/ou pelos pais que já frequentam o grupo. Analisando as observações extraídas do diário de campo das sessões de grupo realizadas, encontramos relatos positivos: a respeito do bem-estar, "sentir-se melhor", sentimento de maior capacidade "posso fazer algo bonito para o bebê", o grupo enquanto espaço terapêutico válido e prazeroso " o tempo é curto demais, poderia ter mais vezes na semana", aumento do vínculo com o bebê "quando ele ficar maior, vou mostrar para ele (o diário)", e aumento do vínculo intrafamiliar  "vou levar o diário para o pessoal da casa ver e ajudar". Foram observadas a importância do espaço de compartilhamento das experiências com outras mães e a possibilidade do contato horizontalizado com os profissionais que atendem na UTIN. E a apropriação das histórias escritas pelos participantes, configurando uma postura ativa e de empoderamento durante o processo da internação.
“Agenda lotada”: Refletindo o excesso de atividades na infância e suas implicações psíquicas. Mayara Pérola Maciel dos Santos Mestre em extensão rural e desenvolvimento local pela UFRPE e Psicanalista Ladjane Caporal. Este artigo propõe abordar uma temática atual, que vem sendo alvo de discussões e reflexões nos profissionais do campo da educação, psicólogos e psicanalistas, o excesso de atividades extracurriculares na primeira infância. Nosso objetivo, não é categorizar, nem diminuir a importância de atividades como: Judô, ballet, natação, ou até mesmo aprender inglês. Tais atividades estimulam a criança para que ela tenha uma melhor habilidade na aprendizagem e também em sua motricidade. Mas a questão é, o seu excesso. A primeira infância compreende desde os primeiros meses de vida até os três anos de idade, neste contexto não podemos deixar de abordar as questões maturacionais do desenvolvimento humano. Neste período a criança descobre coisas novas, inicia a socialização, faze uso da imaginação e busca o brincar. Nesta perspectiva este artigo tem como objetivo principal: compreender como a antecipada inserção do bebê nas atividades contemporâneas, repercutem em sua constituição psíquica. Sabe-se que nos primeiros anos de vida, o bebê necessita de cuidados. Cuidado que vai além do banho, e da alimentação, precisa do olhar do Outro. Tomando isto por base, percebe-se que na contemporaneidade a relação entre os bebês e seus pais, vem por meio da terceirização. Hoje, os hotelzinhos, as escolinhas, as babás, a tecnologia, tem ocupado um lugar que é da função materna e paterna. Os pais, colocam seus filhos cada vez mais cedo em escolas que priorizam tudo isto que fora citado acima, como uma alternativa de seu filho, já crescer “esperto”, fluente e inteligente, a fim de estar preparado para o mercado capitalista. Sobre isso perguntamos: qual o lugar que o filho ocupa no desejo dos pais na contemporaneidade? Partindo dessa quesitação, refletimos sobre os sintomas que vem acometendo os bebês, os quais são: depressão na infância, o TDAH, a ansiedade, os distúrbios da alimentação, que evidenciam como a estrutura psíquica da família está organizada atualmente. Diante disso, a clínica com bebês avança significativamente, devido a demandas como essas, que vem chegando nos consultórios e serviços de saúde, que reforça a importância do trabalho na clinica com bebês.
Palavras-Chave: Clínica com bebês; Excesso de atividades; Sintomas infantis; Psicanálise
“ASPECTOS BEBÊ” NO ADULTO: UM CASO DE AUTOMUTILAÇÃO Cidade, N. O. P. Zornig, S. M. A. O presente trabalho pretende levantar uma discussão acerca da importância do estudo da perinatalidade na clínica psicanalítica com adultos. Partindo da premissa de que todo adulto foi um dia um bebê, o estudo deste momento de constituição psíquica do ser humano torna-se fundamental para melhor compreendermos algumas situações vivenciadas na clínica de adultos. Destacamos o fato de que as experiências vivenciadas precocemente deixam marcas e registros em um nível diferente daquelas da vida adulta: elas se inscrevem num formato pré-verbal, da ordem do arcaico, do sensorial. A partir das contribuições do psicanalista francês Albert Ciccone, em especial sobre a parte bebê de si, discorreremos no presente trabalho sobre algumas formas de sofrimento que surgem no tratamento de adultos, mas que remetem a memórias mais arcaicas do sujeito. Para tanto, apresentaremos um fragmento de caso clínico que conjuga manifestações sintomáticas destes “aspectos bebê” de si com a teoria que nos propomos a discutir. No caso em questão, a paciente lança mão de condutas automutilatórias em situações de extrema angústia, recorrendo ao corpo e ao sensorial numa espécie de evocação de um tempo passado/atual que retorna nas sessões de análise. Os aspectos bebê se fazem presentes através de suas manifestações corporais, remetendo a experiências bastante precoces de sua existência.
“Eu já dei para ele, mas ele não para de chorar”. O choro nas relações e práticas institucionais com bebês e crianças. Nazareth Salutto de Mattos Resumo
A cena em que se deu o diálogo que dá título a este artigo aconteceu no contexto de uma de uma turma de educação infantil, em uma turma com bebês de 1 ano e seis meses a 36 meses. Julia , de 24 meses, viu-se envolvida na tarefa de fazer com que Breno, então com 12 meses, parasse de chorar. O menino olhava para o brinquedo que estava em suas mãos com manifesto interesse. Julia, também desejosa de brincar, oferecia-lhe outro. Diante do desejo frustrado, Breno chorava. Julia repetia a ação, oferecendo-lhe outro objeto. Breno, por sua vez, continuava a chorar. Depois de algumas tentativas, Julia, com expressão de convencimento, lhe entrega o brinquedo que estava em suas mãos. Ao recebê-lo, Breno observa por instantes o brinquedo, devolve o olhar a Julia, e chora. Julia, já sem argumentos ou estratégias, consternada, dirige-se à professora, que observava a cena sem intervir, e lhe diz,: “Eu já dei para ele. Mas, ele não para de chorar”.
Por que choram os bebês? De que modo se acolhe, nega, interdita o choro? O choro incomoda, impacta nas práticas cotidianas? Como? Essas e outras indagações atravessam as reflexões deste artigo.
Winnicott (2014) trata o choro como manifestação de saúde psíquica. Chorar, tanto pode ser descarga emocional, quanto diálogo, uma vez que comunica estados físicos (fome, sono, dor, alegria, contentamento). Na cena, vemos Julia atenciosa ao choro de outro bebê. Ao mesmo tempo em que não desejava ceder o brinquedo que estava em suas mãos, também demonstrou ocupar-se, atenciosamente, do choro de Breno. O que, de fato, ele desejava, não parecia claro à menina. No entanto, ao importar-se, ao colocar-se atenta e disponível, ao buscar negociar, Julia reflete o aprendizado social revelado nas práticas que envolvem cuidado e acolhimento: alguém que chora, necessita de acolhimento e atenção. Sem sucesso, Julia recorre à professora, pessoa na qual confia e partilha com ela sua preocupação.
Cuidado partilhado e interesse pelo outro se desdobram na cena e provoca reflexões: por que choram os bebês? O que se faz com o choro no cotidiano e nas práticas?

Palavras-chave: Bebês e crianças; Creche; Choro; Donald Wood Winnicott.
A ATUALIDADE DA ABORDAGEM PIKLER NOS CUIDADOS À CRIANÇA SEPARADA NA PRIMEIRA INFÂNCIA ALINE PEREIRA DINIZ O presente trabalho parte de minha inserção como psicóloga lotada em vara de infância, juventude e idoso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no acompanhamento a instituições de acolhimento de crianças na primeira infância, separadas da família biológica por decisão judicial, por terem sido consideradas em situação de risco. Em se tratando de crianças na primeira infância, a aprovação do Marco Legal em março de 2016 veio reforçar a importância da qualificação do trabalho do cuidador, reconhecendo a especificidade de necessidades próprias a tal fase da vida. Sabemos que a literatura especifica em psicologia, psicanálise e neurociências aponta a importância de a criança ter nos primeiros anos de vida uma relação privilegiada com adultos de referência, bem como a presença de determinadas características nessa relação, para que o desenvolvimento e a constituição subjetiva ocorram a contento. Com meu primeiro contato com a Abordagem Pikler em 2009 e a partir do início do acesso à literatura dentro do tema em 2011, foi possível vislumbrar que a permanência em coletividade, mesmo não sendo a situação mais apropriada ao desenvolvimento, pode não ser uma experiência destrutiva para a criança, como viram ocorrer os psicanalistas Spitz, Winnicott, Bowby, Robertsons e outros. O valor de uma relação afetiva privilegiada, da motricidade livre e de um balizamento institucional que respalde a educadora, são pilares da Abordagem Pikler. Em nossa compreensão, dialogam com concepções de alguns psicanalistas, dentre eles com Winnicott, Ferenczi, Balint e Golse, acerca do que é imprescindível ao processo de constituição subjetiva nos primórdios da vida. Assim, encontramos nessa articulação algo como uma sustentação dessa proposta de cuidados. Após alguns anos de compartilhamento de materiais, textos, eventos, vídeos, trocas, conversas na vara de infância e com entidades, foi iniciado um grupo de estudos em janeiro de 2017, resultando do desejo das instituições mais próximas de se aproximarem mais da experiência pikleriana. Assim, se iniciou um novo rumo, um novo percurso para outro plano de compartilhamento: uma aposta na ressonância, em cuidadores e crianças, de estudos e trocas a partir de textos e imagens, em uma experiência compartilhada com profissionais de psicologia, serviço social e pedagogia, direção e outros, que poderão promover suas próprias leituras e apropriações, e sustentar o cuidado e a continuidade necessários também a quem cuida.
A clinica winnicottiana da maternidade – tornar-se mãe em situação de refúgio Michele Carmona Aching Tereza Marques de Oliveira
Tania Mara Marques Granato
Este trabalho apresenta uma proposta de clinica winnicottiana para gestantes e puérperas em situação de vulnerabilidade social e focaliza como o processo de transição para a maternidade adquire uma nova complexidade quando transcende as transformações físicas e psíquicas usualmente exigidas pela maternidade para incorporar o sofrimento radical que a situação de refúgio impõe a gestantes e mães.
A CONSTITUIÇÃO DO BEBÊ A PARTIR DO CONCEITO DE IMAGEM CORPORAL: UMA HIPÓTESE DE FUNCIONAMENTO PSICOMOTOR TOMADA NA CLÍNICA DA INTERVENÇÃO PRECOCE Dani Laura Peruzzolo A validação de instrumentos que identificam risco psíquico no bebê já aos quatro meses, traz a necessidade de discutir-se formas de tratamento, entre elas a Intervenção Precoce(IP). Intervir no desenvolvimento do bebê diagnosticado como em risco psíquico, no primeiro ano de vida, implica identificar o que obstaculiza esta constituição. Isto exige outro tipo de formação profissional, além dos conhecimentos sobre desenvolvimento motor, cognitivo e sensorial. Este estudo objetiva apresentar uma construção denominada Hipótese de Funcionamento Psicomotor (HFP). Infere sobre a constituição do bebê a partir do conceito psicomotor de Imagem Corporal (IC) e Esquema Corporal (EC). Articula que nos casos de bebês em risco psíquico, tem-se identificado sinais corporais que normalmente são tomados como funcionamento motor (EC) irregular, como as agitação, torpezas e assimetrias motoras. Mas aqui são questões que anunciam um sofrimento, uma impossibilidade, que interfere na produção relacional entre o bebê e seus pais (IC). Nesta idade os conceitos de EC e IC ainda estão imbricados, influenciando a construção um do outro, por isso a importância do deslocamento do olhar sobre o funcionamento motor para um olhar sobre o funcionamento psicomotor do bebê, a partir da história de como está sendo desejado e seus gestos interpretados pelos pais como um sujeito desejante. Possibilita-se fazer uma leitura não do funcionamento motor, mas psicomotor: da constituição da IC e da utilização dos recursos (EC) do bebê, para construções relacionais entre ele e seus pais. Para esta interpretação o terapeuta produzirá uma HFP, em que interpretará os efeitos psicomotores da angústia relacional que enfrentam tanto o bebê quanto seus pais, manifestada no corpo do bebê. O que a elaboração de uma HFP demonstra, é que as produções psicomotoras do bebê, poderão deslocar a elaboração das funções parentais e também a função do filho para algo que ultrapasse o movimento irregular interpretado como transtorno psicomotor, sendo tomado como um gesto endereçado ao Outro. A IC, como o campo interpretativo do encontro entre o funcionamento e a função psicomotora, endereçado aos pais é um caminho importante para a clínica em IP, pois tenta garantir que as manifestações psicomotoras consideradas irregulares, sejam tomadas na forma de um gesto a serem traduzidos tanto para os pais quanto para o bebê (HFP) como um diálogo que anuncia suas posições simbólicas e, deste lugar é que deverão ser tratadas.
A CONSTRUÇÃO DA FUNÇÃO MATERNA NAS SITUAÇÕES EM QUE O RECÉM-NASCIDO É DIAGNOSTICADO COM UMA PATOLOGIA CRÔNICA Grinfeld PLP   Este painel apresenta uma reflexão sobre o processo de estabelecimento da função materna nas situações em que o recém-nascido é diagnosticado com uma patologia crônica. Em tais circunstâncias, o trabalho materno de reconhecimento e estranhamento indispensáveis para que o bebê imaginário dê lugar ao bebê real fica onerado, já que, no imaginário da mãe, seu bebê se torna sinônimo da representação que ela tem da patologia. Com isso, a preocupação materna primária acaba se transformando em preocupação médica primária, podendo comprometer tanto o desenvolvimento psíquico do bebê quanto a instauração da função materna.

A preocupação médica primária pode ser observada através do aprisionamento materno a longos e detalhados relatos sobre o estado de saúde dos bebês e as intercorrências e intervenções médicas, os quais encobrem o ódio ao bebê e o desejo de morte do filho, vividos silenciosa e culposamente por estas mães.

Na medida em que podemos escutar estas vivências, abrimos caminho para que o bebê seja investido de outras representações, favorecendo àquela que pariu descobrir seu bebê e fazer-se mãe.
A DIMENSÃO INTERSUBJETIVA DO CUIDADOR NA RELAÇÃO COM O BEBÊ: O IMPACTO DOS ELEMENTOS INVISÍVEIS NA PRÁTICA INSTITUCIONAL FRID, S.   Este trabalho aponta para os elementos invisíveis presentes na relação do cuidador com o bebê na prática institucional. Esclarecemos que esses elementos, que nos interessam em termos de investigação, dizem respeito à forma singular com que os profissionais interpretam subjetivamente  as necessidades de cada bebê  e constróem seus estilos interativos no encontro com ele.
 Desse modo, entendemos que esses elementos invisíveis, num só tempo, geram impacto na assistência e apontam para a complexidade da dimensão intersubjetiva na prática, por vezes desconsiderada pelas políticas públicas.
Apoiada no referencial da psicossociologia francesa, e dentro de  uma perspectiva psicanalítica, pretendemos compreender os aspectos relacionais e subjetivos na produção do cuidado com o bebê na prática institucional. Nesse contexto, lançamos luz para o papel central dos sujeitos nessa produção, apostando na relevância de um olhar atento por parte das Instituições sobre os aspectos relacionais, individuais e intersubjetivos, e seus efeitos na prática. Reconhecendo esses aspectos, é possível se produzir sentido na prática.
A Escuta Psicanalítica das Representações Psíquicas de Cuidadores de Bebês em UTI Neonatal PESSENTE, B.D. MOUAMMAR, C.C.E. A investigação das representações de cuidadores se insere nos aspectos subjetivos da criança e estrutura um dos eixos da clínica pais-bebê. Pesquisas demonstram a importância destas representações já que a ordem simbólica é anterior ao surgimento de um sujeito humano individual. O nascimento e o desenvolvimento da criança estão atrelados a uma história de representações psíquicas dos cuidadores. Essas representações podem interferir na resiliência ou na instalação de sintomas no bebê prematuro. As particularidades de cada gestação estão articuladas a uma rede de palavras, de atos e de sintomas próprios da grávida e de seus próximos e dão sentido ao nascimento da criança. A partir do encontro com o outro que o bebê se constitui psiquicamente. Sendo a constituição psíquica de um sujeito entrelaçadas ao desejo do outro, pesquisas com o nascimento e a maternidade aprofundam o conhecimento sobre estados vivenciados por parturientes, o impacto desse fenômeno sobre os recém-nascidos e o efeito que intervenções psicanalíticas podem ajudar na experiência saudável do pós-parto. Já que os significantes parentais são a base constituinte da existência simbólica da criança, utiliza-se a fala como instrumento de análise. O método constou com entrevistas semiestruturadas que foram respondidas pelo casal parental na Maternidade Santa Isabel de Bauru. Objetivou-se investigar as representações de maternagem em cuidadores de bebês em UTIN e as influências dessas na constituição psíquica do bebê a partir de três eixos: as representações parentais sobre o filho, as fantasias sobre a hospitalização do bebê e a construção da função de maternagem.
A EXCELÊNCIA DO CUIDADO ESSENCIAL- UM PROGRAMA PARA TODOS Grande EC Gusmão FV Há um movimento crescente entre os profissionais que atuam em todo o ciclo da educação infantil, na busca pelas práticas do cuidar, sobretudo para as crianças de 0 a 3 anos, à luz da abordagem Pikler. Podemos ver nisto um ganho dos nossos tempos, temos cada vez mais mergulhado na pesquisa do desenvolvimento integral - mente e corpo - do bebê, na valorização do profissional que se dedica para esta faixa etária, e na prática detalhada do cuidado essencial com excelência.
Democratizar o conhecimento especializado para todos os educadores e profissionais da primeira infância é um dos desafios de um programa de formação; Tornar a prática acessível tanto para o gestor quanto para os educadores titulares ou auxiliares, é a garantia da qualificação de uma educação infantil mais saudável e mais adequada ao mundo contemporâneo. 
O conceito do saber fazer deve permitir um lugar à vivência do saber fazer.  O como? e o por que ? são questões que precisam ser discutidas e esclarecidas . A maneira de ofertar uma alimentação saudável e de realizar uma troca de fraldas, com técnicas adequadas, afetividade e respeito à autonomia e individualidade dos bebês, é essencial.
A formação dos profissionais visa em primeiro lugar, o fortalecimento de um cuidado essencial à criança, que tem seu direito a uma pedagogia de alta qualidade, e não menor que isso, a construção de princípios norteadores que dê condições para o educador transformar seu saber, realizar sua obra e se realizar.
A formação para todos é uma forma de cuidar do cuidador. Viabilizar esta construção de conhecimento sobre cada etapa, desde o preparo dos espaços e materiais até a lavagem das mãos, de forma clara, considerando sua cultura e recursos, é na prática, cuidar com detalhe e com excelência
A experiência e os conteúdos voltados à formação do cuidador de bebês. Passos CR   Atualmente são muitas as pessoas que atuam nos cuidados do bebê sem necessariamente ter alguma formação específica. Talvez isto seja possível porque somos seres capazes de “sair de si e centrar-se no outro com desvelo e solicitude” (Boff 1999), sem dependermos de uma profissionalização para tal; e também pelo fato de a “experiência” ser uma das grandes formadoras de competências e atitudes. Independente do contexto formal ou informal/existencial da constituição do cuidador, há qualidades que precisam estar presentes na sua prática para apoiar o bebê no caminho complexo de desenvolvimento da sua humanidade.
O presente trabalho versa sobre as bases da formação do cuidador que devem ser garantidas para sustentar a qualidade de presença e atuação, e destaca: a experiência, a subjetividade do cuidador e o seu autocuidado; quem cuida do cuidador; relação com a família; especificidades do meio de atuação e espaço; a escuta do bebê (apego e desapego) domínios básicos sobre o desenvolvimento infantil (corpo, linguagem e o brincar livre); e primeiros socorros.
Possivelmente esses conteúdos já estão presentes e despertos na “simples” e inteira presença do cuidador na relação com o bebê, consigo mesmo e com o meio. Fica o desafio de como aproveitar este campo fértil e organizar sistematizações que façam avançar os cuidados com o cuidador e com os bebês.
A Integração Sensorial a partir da singularidade cotidiana. Beltrame VH Souza, APR INTRODUÇÃO:  A  Terapia  Ocupacional  vislumbrando  a  integração  sensorial  de  um  bebê diante  do  seu  cotidiano,  propõe-se  a  pensar  a  maneira  com  que  o  outro  estabelece  os  seus gestos  e  experiências  sensoriais  nas  trocas  estabelecidas  com  o  bebê  e  na  maneira  como  ele projeta o seu fazer. Para o bebê, isso está pautado na qualidade do gesto e da interação que somados aos aportes sensoriais resultarão no processo de Integração Sensorial. OBJETIVOS:  Analisar  qualitativamente  quatro  casos  com  alterações  sensoriais pautados  sob  diferentes  experiências  cotidianas  e  familiares.  METODOLOGIA:  O  grupo amostral foi de 4 crianças, dois bebês nascidos prematuros e dois a termo. A definição dos casos  para  descrição  neste  estudo  se  deu  por  conveniência  a  partir  da  pesquisa  maior intitulada:  "Análise  comparativa  do  desenvolvimento  de  bebês  prematuros e a  termo  e  sua relação com risco psíquico: da detecção à intervenção”. Para a avaliação, foram considerados os fatores sensoriais identificados a partir dos protocolos avaliativos Test of Sensory Function in Infants (TSFI) e o Perfil Sensorial do bebê e da criança pequena, além de entrevistas com os  pais  e  observações  clínicas  da  avaliadora.  DESENVOLVIMENTO:  As  avaliações  com protocolos são importantes, porém as observações clínicas na identificação de problemas no desenvolvimento  sensorial  são  fundamentais.  Sinaliza-se  a  importância  de  que  os  pais  e  os profissionais da saúde sejam continuamente informados sobre como se desenvolve o sensório de  uma  criança.  Salienta-se  a  importância  do  investimento  materno  e  familiar  nos  bebês, hipotetizando  que  a  evolução  dos  sensórios está pautada, além  dos  estímulos  externos, nas trocas relacionais com aqueles que exercem funções primordiais ao bebê.  RESULTADOS:  Os  resultados  sinalizam que mesmo com a utilização de dois protocolos sensoriais, considerando a visão do avaliador e dos pais, existem alguns fatores cotidianos que não são sensíveis para identificação nos testes em  questão.  Percebeu-se  que  os  fatores  ambientais  e  a  organização  familiar  implicam  no desempenho sensorial do bebê.
A lua não me seguiu REGINA CELI BASTOS LIMA ---- O artigo fala sobre uma experiência de onipotência semelhante a um sonho delirante vivida por uma criança bem pequenina. Reinava no universo da completude narcísica. O texto reflete também sobre o sofrimento psíquico que envolve o afastamento desse encantamento no encontro com a realidade. Um recolhimento narcísico se fazia necessário. Freud nomeava essa experiência de “coerência narcísica” (Nicéas, 2013). O texto aborda ainda questões relativas à alteridade dando destaque ao ressentimento.    

Palavras-chave: ferida narcísica – ilusão/desilusão – realidade - ressentimento
A PARENTALIDADE ENQUANTO POSSIBILIDADE EM UMA UTI NEONATAL: O EXERCÍCIO DA FUNÇÃO POR MEIOS DIFERENCIADOS Nogueira HR Abrão JLF Este trabalho visará pensar o exercício da paternidade e da maternidade frente ao nascimento que deixa de ser um encontro e se transforma em uma sucessão de desencontros: a vinda de um bebê prematuro que demanda internação em uma UTI Neonatal. A hospitalização do bebê é tida como estressante e desestruturante para os pais, dada a ansiedade exorbitante que circunda os aspectos da saúde do filho, inserido em um ambiente geralmente associado a dor apesar de necessário. Aqui, questões como a quebra da ideia de retorno ao lar imediato e da convivência familiar, o luto pelo bebê esperado, além dos procedimentos terapêuticos que também agridem os familiares da criança estarão difusas por todo o período de internação do latente. Estando o bebê nunca isolado, sempre imerso ao meio, a mãe e seu recém-nascido possuem uma relação recíproca e complementar, em que aquela supre este intensamente no início, provocando a ilusão de que ela e o seio seriam a mesma coisa... um não existe sem o outro. Aos poucos o ego do bebê vai se formando, permitindo-o que lide com frustrações e, assim, que construa seu simbólico, passando de uma dependência absoluta para uma relativa. Como a mãe funcionaria enquanto ambiente facilitador na evolução do psiquismo do filho estando também imersa nesse emaranhado de desconhecido que é o ambiente da UTI Neonatal? Através do método de observação da relação mãe-bebê de Esther Bick, foram observadas 3 duplas mãe-bebê cujos recém-nascidos foram internados em uma UTI Neonatal de um Hospital de Referência do interior de São Paulo e que usufruíram do alojamento conjunto, com o intuito de obter mais informações acerca da construção do vínculo nesta peculiar condição. Um dos resultados que se destacou foi a diferença do anseio da mãe que teve seu bebê internado por mais tempo na UTI que o das outras cujo recém-nascido logo foi encaminhado à UCI: o anseio era pelo exercício da maternagem em si. Maternagem aquela que antes era vista apenas como uma dúvida perante o quadro crítico de vida de seu filho, mas que, na medida em que a mãe começa a se apropriar da nova rotina do bebê que está a sua frente e este vai melhorando, torna-se uma possibilidade bastante concreta de ser exercida embora diferenciada em seus meios, dado todo o contexto de medicação, aparelhagem, equipe médica e de enfermagem. Ao “ser pai” é conferido todo o foco. Ao “ser pai” é conferida toda a ansiedade. Ao “ser pai” é conferida a necessidade e esperança da díade.
A superproteção parental e as eternas crianças TOSTA, R.M.   Tenho estudado com mais freqüência o tipo de adaptação parental, especialmente a materna, frente a situações adversas derivadas da condição de adoecimento infantil grave.  A partir de pesquisas realizadas pude perceber a alta freqüência de um estilo parental de superproteção materna nestes casos.  Tal superproteção estaria relacionada ao ódio inconsciente da mãe frente ao filho gravemente doente  e ao temor de morte que ronda sempre.  Nestes casos, pode-se  configurar um a situação traumática.  No entanto, tenho observado nos casos clínicos e no cotidiano, que o estilo parental de superproteção prepondera atualmente no trato dos pais com seus filhos pequenos, o que tem se estendido até à  adolescência .  Não se tratam de crianças doentes, são crianças saudáveis do ponto de vista físico. As pessoas geralmente relacionam este tipo de educação com “falta de limites” dos pais. Temos como conseqüências que as crianças são vistas como agressivas na escola e agitadas e os pais não sabem como lidar com elas. Um dado sociológico importante é que está havendo uma redução significativa do número de filhos nas famílias e, assim sendo, os poucos filhos e/ou o filho único, são tratados como se fossem muito frágeis, de forma similar ao modo como tratam os filhos,  aquelas mães das crianças doentes estudadas.  Nossos bebês são majestade pela vida afora.  Todos tratados como filhos únicos: nos pais o temor de morte ressurge e há uma precarização psíquica dos filhos. Estamos numa sociedade de eternas crianças.
A TECNOLOGIA REGENDO UM AMBIENTE PREMATURO: OS CUIDADOS REFERENTES À DUPLA MÃE-BEBÊ EM UMA UTI NEONATAL Nogueira HR Abrão JLF Tecnologia. Inovação. Conhecimento pressuposto. Necessária, temida e invejada. É de conhecimento comum as contribuições significativas à sobrevivência do bebê que o uso das tecnologias avançadas de terapia intensiva como incubadoras, berços de calor radiante, equipamentos para assistência ventilatória, alimentação parenteral e antibióticos de última geração têm promovido. Mesmo necessárias, também provocam efeitos negativos pela grande variedade de estímulos agressivos a qual o recém-nascido é submetido. As mães, ao adentrarem pela primeira vez neste ambiente, encontram-se perante um aglomerado de desconhecido tecnológico que, pelo momento sensível do parto prematuro, é logo tomado como o regente dotado de toda a verdadeira sabedoria. Esta pesquisa está sendo realizada na UTI Neonatal de um Hospital Referência, com a finalidade de observar como ocorre a construção do vínculo mãe-bebê neste contexto, através do método de observação de Esther Bick. Aqui foi realizado um recorte que toma como hipótese a tecnologia enquanto órgão controlador e organizador dos cuidados referentes à dupla mãe-bebê nesta circunstância. Assim, a equipe médica e de enfermagem é vista como a representação viva de tal figura e a díade não é tomada em sua unicidade, unidade e primazia. O contato cotidiano tem sua importância minimizada e assim, é substituído. O recém-nascido passa a fazer parte de uma rede esquematizada: horários para aplicação de medicação e para a realização de exames; monitoramento da saturação e da frequência dos batimentos cardíacos pelo monitor; temperatura controlada pela incubadora; o peso é medido todos os dias; é estabelecido um período de uma hora para que não ocorram intervenções no bebê (“Hora do Psiu”); a mãe é chamada para ir ao encontro de seu filho a cada 3 horas para dar de mamar e aconselhada a não fazê-lo em outros horários porque o bebê ainda é “muito prematurinho”, além de também ser instruída a não usufruir do alojamento conjunto se este ainda não se encontra nesta fase... O cuidado é transferido às técnicas e o controle às tecnologias. A díade anseia e aspira pela maternagem. A maternagem também é necessária, temida e invejada.
ACOMPANHAMENTO MÃE-BEBÊ NO AMBIENTE DA CRECHE:LIMITES E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO TERAPÊUTICA. FADEL, A. M. KUPFER, M. C. M.
Maria Cristina Machado Kupfer
Docente Titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo – USP; diretora do Lugar de Vida – centro de Educação Terapêutica; pesquisadora do Lepsi; pesquisadora IRDI nas creches.
Email: mckupfer@usp.br

BARROS, I. P. M. de
Izabella Paiva Monteiro de Barros
Psicóloga e psicanalista. Pós-doutoranda pelo departamento de psicologia escolar e do desenvolvimento humano (PSA) da Universidade de São Paulo (SUP). É doutora e mestre em psicologia clínica pelo Instituto de psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) onde concluiu também o curso de especialização em psicanálise pelo laboratório sujeito e corpo. Na área acadêmica, é professora titular doutora do curso de mestrado em psicossomática da Universidade Ibirapuera e atuou como professora e supervisora do curso de psicologia da Universidade Presbiteriana entre 2003 e 2014. Atua como pesquisadora associada no projeto Fapesp "Validação e comparação de instrumentos de acompanhamento do desenvolvimento psíquico à luz da psicanálise". Orienta trabalhos científicos cuja frente de investigação envolve tanto a pesquisa básica como a aplicada, com enfoque translacional, levando em consideração estratégias de prevenção e de promoção de saúde, com vistas ao desenvolvimento saudável. Participa de grupos de pesquisa sobre prevenção e tratamento do sofrimento psíquico e manifestações psicossomáticas na primeira infância. Linha de Pesquisa: Psicossomática e desenvolvimento. São Paulo – SP
Email: barrosizabella23@gmail.com
A psicanálise com bebês é um campo de trabalho clínico recente que vem recebendo atenção especial nos últimos cinquenta anos, sendo consenso que a intervenção sobre problemas de psicopatologia infantil, sobretudo os mais graves, deve ser realizada em um tempo o mais precoce possível. No entanto, o trabalho com crianças tão pequenas encontra muitos obstáculos, os quais se iniciam no interior do próprio campo psicanalítico, já que, para muitos psicanalistas, não pode existir psicanálise com bebês, pois, teoricamente, a prática psicanalítica se apoia na fala e os bebês são infans, ou seja, são não falantes. Uma outra importante dificuldade encontrada provém dos próprios pais: por que levar uma criança tão pequena já para o tratamento? Eis um problema que precisa ser enfrentado por meio de novas propostas de abordagem dos pais, em uma direção que evite a “doentificação” ou a patologização imaginária de um bebê. Assim, para fazer frente a essas dificuldades, foi proposto o acompanhamento de pais e bebês em risco no que se refere à constituição psíquica e seu desenvolvimento no interior do campo educativo por meio da Educação Terapêutica (APCC), visando comprovar seu valor de promotor de saúde mental será apresentado recorte de um caso acompanhado na creche, dando destaque às observações sobre os efeitos transferenciais que advêm da presença de um psicanalista no “aqui e agora” da creche, sobre os efeitos da presença dos pais no campo educativo e acerca das especificidades deste tipo de intervenção.
Palavras-chave: educação terapêutica, psicanálise, creche, bebês, relação mãe e filho.
AS CHUPETAS VIRTUAIS: IMPLICAÇÕES SUBJETIVAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA REZENDE DE ANDRADE I CAPORAL LFR A dinâmica familiar tem se virtualizado e aponta para possibilidades de implicações na transmissão da linguagem. Os bebês são expostos cada vez mais cedo às telas portáteis que são utilizadas para entretenimento e também no desempenho das mais variadas atividades, inclusive a de sofisticar e otimizar a atuação dos pais no cuidar das crianças, o que tem elevado a tecnologia ao status de indispensável. A evidência deste fato comumente se vê em variados locais e situações, através das telas que funcionam como “chupetas virtuais”. No primeiro ano de vida, a subjetividade está concentrada na introdução da matriz simbólica parental, fase de constituição que depende de operações psíquicas e da transmissão da linguagem. A problemática desta pesquisa é: quais as implicações do uso excessivo da tecnologia de comunicação na primeira infância, para o processo de constituição subjetiva, especificamente quando utilizado nos dois primeiros anos de vida? Objetivo geral: Compreender quais os efeitos do uso da tecnologia de informação no processo de subjetivação e de construção do laço familiar nos dois primeiros anos de vida. Objetivos específicos: estudar a constituição subjetiva nos dois primeiros anos de vida e a importância da função materna como mediadora da linguagem; identificar, na contemporaneidade, o lugar ocupado pela tecnologia de comunicação como mediadora da linguagem materna; entender os efeitos do uso excessivo das tecnologias de comunicação, em criança de até dois anos, na relação entre a janela virtual e a construção do laço familiar. A metodologia da pesquisa foi qualitativa, descritiva, bibliográfica, com base teórica da psicanálise freud-lacaniana. Estudar esta questão a partir da transmissão da linguagem foi pensar numa dimensão fundamental implicada na constituição subjetiva e na construção dos laços familiares, pois sujeito e família estão atravessados pelo inconsciente, este que será estruturado através da linguagem, sendo indispensável alguém ocupar o lugar de mediação da linguagem e que não pode ser ocupado pelas chupetas virtuais que também não são capazes de construir laços familiares. Não havendo o desempenho das operações psíquicas fundantes do sujeito, dependentes deste Outro, torna elevada a possibilidade de impasses na constituição subjetiva. O laço familiar fragmentado aparta o indivíduo do laço com o Outro e consigo mesmo, e o fará lançar mão do que estiver ao alcance para aplacar o mal-estar desestruturante que se instala.
As relações de cuidados com bebês em creches: um olhar possível Moratti, Patrícia   Este trabalho analisa as relações de cuidados que se estabelecem entre as profissionais e os bebês em creches para discutir como esse ambiente contribui para o desenvolvimento psíquico dessas crianças. As observações das relações de cuidados com os bebês foram realizadas durante  dois anos de acompanhamento das profissionais em serviço nas creches. Esse acompanhamento oportunizou o conhecimento das rotinas de cuidados com as crianças e, a partir disso, algumas intervenções foram realizadas tanto com os bebês quanto com as profissionais para compreensão e promoção das relações de cuidados que se estabeleciam entre eles. Buscou a partir de um referencial psicanalítico, alguns conceitos para a leitura das relações de cuidados com os bebês, destacando como operadores de leitura, particularmente, aqueles que tratam da relação de cuidados e seus aspectos constituintes como facilitadores do desenvolvimento psíquico de bebês. Tendo como foco as relações de cuidados analisa cenas do cotidiano das creches que mostram fragmentos dessas relações entre as profissionais e os bebês. Por fim, discute essas relações de cuidados, descrevendo como aconteciam e, como as ações interventivas realizadas se desdobraram no ambiente das creches, mostrando os efeitos que se produziram nas relações de cuidados com os bebês. Reflete como ações simples podem criar cuidados possíveis, promovendo o desenvolvimento psíquico dos bebês, ao mesmo passo, sustentar e facilitar as profissionais na direção da realização dos cuidados com os bebês em creches.
AVALIAÇÃO DE RESILIÊNCIA EM BEBÊS E CRIANÇAS (DE 4 SEMANAS A 36 MESES DE IDADE): A ESCALA DECA I/T DEVEREUX EARLY CHILDHOOD ASSESSMENT FOR INFANTS AND TODDLERS Coelho MA Ramos DG ​O tema do trabalho é ligado à primeira infância na perspectivada psicologia clínica e à resiliência em bebês (de quatro semanas a 18 meses de idade) e crianças (de 18 a 36 meses de idade). O objetivo do trabalho foi traduzir para o português e realizar a adaptação transcultural da escala de avaliação da primeira infância para bebês e crianças denominada DECA I/T, criada e desenvolvida por Gregg Powell, Mary Mackrain e Paul LeBuffe, detida pela The Devereux Foundation, editada e publicada por Kaplan Early Learning Corporation em 2007. A escala DECA I/T mede os fatores de proteção sociais e emocionais (apego/relacionamento, iniciativa e autorregulação) para avaliar e indicar a força desses fatores em bebês e crianças, consistindo em uma ferramenta de avaliação valiosa para a clínica psicológica e para realização de programas públicos e privados de intervenção ligados à primeira infância, o desenvolvimento psíquico na primeira infância e resiliência. Para realização da tradução e adaptação transcultural foram utilizadas as diretrizes e orientações de Hambleton e Patsula (1998) e Souza e Rojjanasrirat (2010).  O trabalho envolveu uma revisão bibliográfica ligada a primeira infância na abordagem junguiana, resiliência, e tradução e adaptação transcultural de escalas. o procedimento teve as seguintes etapas: (a) tradução do instrumento original em inglês para o português por duas tradutoras; (b) comparação e unificação das duas versões traduzidas pela pesquisadora (terceira tradutora), e revisão da versão unificada; (c) retrotradução da versão unificada para o inglês por outro tradutor, seguida de revisão e aprovação da versão final em português por Comitê de Especialistas; (d) aplicação da versão final em português em um projeto piloto.  A DECA I traduzida foi respondida por 13 avaliadores. A DECA T foi respondida por 13 avaliadores. Após o projeto piloto, a escala traduzida foi considerada culturalmente adaptada e apta para futura validação.
 
Palavras-chave: Resiliência. Primeira infância. Bebês. Crianças. Escala de Avaliação DECA I/T.
Características familiares no uso de dispositivos eletrônicos e sua influencia nas atividades de seus filhos STOBAUS LC EISENBERG Z De acordo com a Organização não Governamental Criança e Consumo, o tempo médio por dia que elas passam em frente à televisão teve um aumento de 52 minutos, entre 2004 e 2014. O tempo médio diário de TV por crianças, registrado em 2014, foi de 5h e 35 minutos. Pesquisa da Multifocus Inteligência de Mercado (2014), em 12 capitais do Brasil, junto a 1800 crianças e jovens com idades entre 0 e 17 anos, identificou a prevalência da televisão nos hábitos diários de relação com as mídias, de crianças de 0 a 6 anos de idade: 93% das crianças brasileiras com menos de 3 anos assistem à TV em média 3,2 horas por dia; entre as crianças de 4 e 6 anos a média diária de consumo de TV sobe para 4,2 horas; 70% dessas crianças têm a mãe como companheira na hora de assistir à TV, mas 29% delas assistem sozinhas.
A constatação de que as crianças estão tendo acesso, cada vez mais cedo, a dispositivos eletrônicos levanta uma série de questionamentos acerca do impacto do uso intenso desses equipamentos no desenvolvimento delas, na aprendizagem e nas relações no âmbito familiar. Um contexto antigo, e que prevalece forte em nossa cultura é a presença da televisão ligada, sem alguém assistindo. Estudos mostram o impacto proximal da televisão ao fundo, apontando efeitos negativos na interação pais-crianças, como a diminuição da atenção e das trocas comunicativas entre eles. O objetivo deste estudo foi verificar se as famílias que possuem a televisão ligada ao fundo teriam diferenças quanto ao uso de dispositivos e nas atividades das crianças comparados à famílias que não possuem a TV ligada (TVon X TVoff), na cidade do Rio de Janeiro. Este estudo foi realizado pelo Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Humano de 2016 a 2017.
Metodologia: Foi desenvolvido um questionário online buscando identificar as caraterísticas de uso de dispositivos das famílias e as atividades de seus filhos. Participaram do estudo 177 responsáveis moradores do Rio de Janeiro, TVoff=87 e TVon=90.
Análise dos dados: Características em comum e diferenças entre as famílias; Uso dos pais e das crianças.
Conclusões: Nossa pesquisa indicou que as crianças estão começando a usar a tecnologia antes dos dois anos de idade, usam os aparelhos dos pais e em casa. Há uma diminuição de locais para brincar em famílias TVon.
Conecte-se ao que importa Schreiner AL Pfeiffer LY CONECTE-SE AO QUE IMPORTA
O objetivo deste trabalho é a apresentação da Campanha “Conecte-se ao que Importa“, criada pelo Programa DEDICA - Defesa dos Direitos da Criança e do adolescente.
  O Programa DEDICA é vinculado aos Amigos do Hospital de Clínicas de Curitiba e trabalha com o enfrentamento de diversos tipos de violências graves e gravíssimas contra crianças e adolescentes. Além do trabalho de atendimento as vítimas dessas violências em saúde física e mental, dos responsáveis e agressores (estes quando passíveis de tratamento), promove um trabalho com órgãos de proteção e defesa da infância e adolescência, como Ministério Público, Varas de Proteção,  Delegacias, Conselhos Tutelares, Escolas e outros. Também realiza  um trabalho de educação continuada preventivo as violências na infância e adolescência.
  A campanha “CONECTE-SE AO QUE IMPORTA”, foi criada pelo DEDICA como uma forma de alerta e reflexão para pais e responsáveis, sobre  uma das formas atuais de abandono, caracterizada como violência virtual. Trata da negligência dos pais e cuidadores de grande parte das crianças e adolescentes pelo desvio de seus olhares e atenção para as telas do mundo virtual. A Campanha também objetiva alertar e chamar as pessoas para refletirem sobre os riscos e consequências do uso de eletrônicos por bebês, crianças e adolescentes. Em bebês e crianças pequenas pode-se afirmar que as consequências vão desde danos orgânicos até  psíquicos, pois bebês e crianças, que se  encontram em fase peculiar de desenvolvimento, não tem instrumentos psíquicos para lidar com a invasão que os eletrônicos procedem em seu pequeno corpo e psiquê em formação.
Neste contexto, o sintoma do fechamento evolutivo e das distorções de sua relação com o mundo podem se seguir a esta forma em que a criança tem buscado o diálogo e o olhar do outro, expostas a telas criadoras de imagens e significantes sem a necessária dimensão constitutiva psíquica e interpretação do adulto cuidador. A infância, desde muito cedo, vem sendo exposta a um mundo virtual, criado para a sedução, transformado em grande Outro, como fonte de estimulação e saber direcionado ao uso e vício para um pequeno sujeito em formação.
“Conecte-se ao que importa” foi viralizada em nosso país e outros pelo mundo e tem sido proposta como um instrumento de discussão neste novo momento em que o humano da contemporaneidade passa por transformações, num tempo onde quase não há mais espaço para a individualidade e subjetividade.
Construir-se mãe: relato de uma experiência compartilhada em um grupo de mães-bebês Ana Carolina Linardi Munguía Payés Constanza Guimarães e Tereza Marques de Oliveira. O Centro de Atendimento, Estudo e Pesquisa em Psicanálise e Psicossomática Habitare é uma Organização não Governamental dedicada ao estudo da dinâmica psíquica da gravidez e do desenvolvimento emocional de crianças até três anos e que atua através de diversas frentes: clínica social, pesquisa , formação profissional e estudos sobre o período perinatal. Enquanto clínica social, a Habitare tem os psicanalistas Donald Woods Winnicott e Serge Lebovici como principais interlocutores. Desenvolve projetos para o cuidado em saúde mental materno-infantil desde a gestação até os três primeiros anos da criança através da parceria com diversas instituições. O presente relato trata de uma experiência de acolhimento em um grupo de mães-bebês na clínica social da Habitare. Esse grupo está voltado para mães que, muitas vezes, se encontram em situação de vulnerabilidade social, não apenas pela própria condição do puerpério, se não que também pelos mais diferentes motivos, como desemprego, abandono familiar, envolvimento com drogas, dentre outros.
Além da experiência de vulnerabilidade social muitas vezes encontrada no grupo mães-bebês, consideramos adicionalmente que o discurso contemporâneo sobre a maternidade tende a exigir da mulher a responsabilidade total pelos cuidados do bebê; que ela atenda a certo sucesso profissional, que corresponda a certo ideal de forma física (o mais cedo possível após o parto) e, também, que tenha estabilidade emocional e felicidade incondicional quando da chegada do bebê. Tais exigências são incompatíveis com o espaço psíquico necessário para viver a frustração,  tristeza, ódio, falta, raiva, desamparo, solidão, medo - aspectos frequentemente tidos como negativos mas que também compõe a experiência de construção da maternidade. O cuidado no período perinatal aponta para a importância da escuta ao legitimar tais aspectos como parte da experiência humana e que, quando compartilhados em um ambiente de confiança e de não julgamento, podem restituir à mãe seu lugar de palavra para que ela esteja, assim, em melhores condições para entrar em um estado psíquico de extrema sensibilidade para com o bebê.

No presente trabalho relataremos algumas vinhetas de Ariel, uma jovem mãe puérpera de 17 anos, em meio a conflitos com sua própria mãe e às voltas com a construção da maternidade vivida em plena adolescência.
Contribuições da clínica winnicottiana  para o contexto da prematuridade Esteves, C.M. Piccinini, C.A.; Caron, N., Lopes, R. de C. S. O nascimento prematuro é um evento potencialmente traumático para a relação da mãe e do bebê. Ele pode ser vivenciado como uma ruptura na continuidade da gestação e agregar dificuldades nas primeiras aproximações extrauterinas da díade.  O trabalho desenvolvido foi baseado nos princípios e técnica da clínica winnicottiana para
pacientes que se encontram em estágios primitivos. Tal técnica consiste no holding, na não-intrusividade, manutenção do silêncio, no setting confiável e acolhedor, assim como a capacidade de empatia do analista. O objetivo deste estudo foi investigar as contribuições dos princípios e da técnica da clínica winnicottiana para o contexto da prematuridade, e suas especificidades, considerando a internação do bebê na UTI Neo. Em particular, se investigou as contribuições deste atendimento para a diminuição do sofrimento psíquico e conflitos da mãe relacionados ao bebê, esperando que tais benefícios se estendessem para a relação mãe/bebê. Participaram do estudo duas mães primíparas e seus bebês. O atendimento clínico winnicottiano (Winnicott, 1954/2000; Winnicott,1955-6/2000; 1960/2007) foi realizado durante a internação do bebê, variando o número de sessões de acordo com o tempo de internação. O foco da análise esteve no processo do atendimento clínico, incluindo as mudanças e os fenômenos ocorridos ao longo dos atendimentos, sendo o material organizado na forma de relato clínico, com base no referencial winnicottiano. A análise mostrou que os atendimentos foram benéficos para as mães e suas filhas, auxiliando as mães em suas dificuldades frente à maternidade e nas primeiras aproximações e cuidados com as bebês. Igualmente, influenciou positivamente no olhar das mães em relação às filhas, contribuindo para a continuidade do desenvolvimento emocional das bebês. Os atendimentos também ajudaram as mães a verbalizarem e elaborarem culpas, perdas, lutos e medos que a experiência do nascimento prematuro agrega a maternidade. Tais benefícios estiveram relacionados com a técnica utilizada, incluindo adaptações no atendimento para atender às demandas e características de cada caso.
Corpo, violência e constituição psíquica. Paes FP Zornig SMA-J O presente estudo dedica-se a pensar sobre uma difícil questão: o lugar da violência no contexto das primeiras relações do bebê com seus cuidadores.
Partimos da obra da psicanalista Piera Aulagnier, que em sua obra “A violência da interpretação” (1975) defende que há uma violência primária inerente ao discurso materno que é estruturante da subjetividade, a medida que antecipa sentidos oferecendo uma ancoragem subjetiva para o bebê. No entanto, tal como entende a autora, essa violência pode ser do campo da desestruturação, caso se apresente como excessiva, interditando ao sujeito a construção de um espaço psíquico separado do materno.
Entendemos que separação eu-outro é o ato que inaugura a vida psíquica e que coloca em estado de continuidade os eventos que ocorrem na zona sensorial e o que deles se manifesta na zona psíquica, ou seja a diferenciação e ao mesmo tempo a continuidade eu-corpo. Assim, é necessário que psique e corpo se relacionem em pólos separados para que o Eu possa servir de biógrafo para seu corpo e para que possa construir a história de suas modificações e dos acontecimentos responsáveis por seu destino psíquico. Nesse sentido, nos questionamos sobre desdobramentos dessa violência excessiva para a formação subjetiva do bebê, sobretudo no que tange a sua relação com o corpo e suas manifestações somáticas.
Criança Enfezada: Sobre a comunicação inconsciente do sintoma Unikowski D R   Por ocasião do desfralde e seus desdobramentos, a retenção e o endurecimento de fezes, seguidos de condutas de oposição e ‘enfezamento’, constituem queixas comum aos pediatras. 
Em geral os médicos orientam os pais quanto à alimentação, cuidando do corpo e quando, apesar de todos os esforços, o sintoma persiste, encaminham ao psicanalista. Nestes casos, a vida afetiva pode ganhar espaço  para além do orgânico.
Atendendo primeiramente aos pais, logo pais com filhos e, muitas vezes, o pequeno paciente individualmente, buscamos o entendimento da comunicação inconsciente do sintoma. Não só no funcionamento mental da criança, como na dinâmica das relações familiares.
Neste trabalho, através de vinhetas clínicas, discutimos o intricado jogo entre analidade e manifestações edípicas, observado em crianças em torno dos dois e três anos.
Através da transferência com o psicanalista aspectos inconscientes de cada protagonista, que entravam a dinâmica familiar, podem ser elaborados, diminuindo a angústia de todos e permitindo que o desenvolvimento da criança siga seu rumo.
curso para Cuidadores de Bebês: transmissão de uma função subjetivante Eva Wongtschowski Anna Maria Alcântara do Amaral, Anna Mehoudar, Daniela de Andrade Athuil Galvão de Sousa, Eva Wongtschowski, Gisela Haddad, Gisele Senne de Moraes, Lucia Helena Navarro, Márcia Arantes, Mira Wajntal, Rubia Zecchin, Silvia Inglese Ribes e Yone Maria Rafaeli. Nosso grupo de Intervenção e Pesquisa: da Gestação à Primeira Infância* tem uma parceria, desde 2012, com o Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis, para o atendimento de gestantes, pais e crianças até 2 anos de idade.

Essa experiência nos instigou a reflexões teórico-clínicas e políticas que resultaram na consolidação do curso gratuito: Cuidadores de Bebês.

Transmitir a importância ética do cuidador/educador - desde 2016 - tem sido nosso grande desafio e “cuidar de quem cuida” nosso eixo central. Os grupos com os quais trabalhamos são selecionados entre profissionais que trabalham em creches, escolas de educação infantil, abrigos, casas de famílias, bibliotecas públicas... assim como cuidadores que não têm acesso a outros espaços de formação.

O curso tem como objetivo introduzir conceitos psicanalíticos sustentados em pesquisas sobre a importância da relação adultos/bebê na primeira infância, a observação dos sinais que indicam negligência e sofrimento psíquico do bebê, assim como o valor de comunicação que esses sinais representam.

Consideramos que o curso tem um caráter preventivo, uma vez que quem cuida do bebê é agente na sua constituição, faz parte de seu universo, de seus pais ou responsáveis, portanto, intervém no seu desenvolvimento. É intervir “antes de uma cristalização sintomática. [...] a prevenção se relacionaria a um tempo de antecipação, [...] que enfatizaria a necessidade de se manter em suspensão quanto ao futuro, sem [...] negligenciar os bebês em risco e sua família”. A prevenção, assim, diz respeito a “função humanizadora do adulto, que envolve antecipação e interpretação subjetivadora”.**

A experiência nos surpreende tanto pelo número e diversidade de inscritos, quanto pelas questões e impasses vividos pelos alunos no cotidiano de suas práticas, evidenciando a necessidade de aprimoramento e interlocução sobre a primeira infância.

Os psicanalistas, pediatras e enfermeiras envolvidos nesse projeto buscam dar sentido às inevitáveis angústias do cuidador/educador, resultantes de seu trabalho cotidiano na medida que passam a operar com maior propriedade e responsabilidade suas tarefas e sua função subjetivante.

**Fonte e citações: Entre o estranho e o familiar – desafios para a prevenção. Regina Orth de Aragão; Isabel Kahn Marin. Estilos clínicos vol.19 no.1 São Paulo abr. 2014
EXPRESSÕES MIDIÁTICAS NO CONTEXTO DA OBSERVAÇÃO DE BEBÊS Pugliese EMB Prado AAA, Maluly BB, Folino CSG, Escorel G, Almeida MM, Oliveira TM. Através da discussão de vinhetas de Observação de Bebês e de relatos da experiência do Grupo de Seminário, vamos analisar o impacto da tecnologia e das comunicações midiáticas, tanto nos contatos preliminares para estabelecer o contrato de observação de bebês, como também na própria relação mãe-bebê, na relação pais-observador e nos intercâmbios e associações ocorridas no grupo de seminário.
À medida que nosso mundo se modifica cultural, social e tecnologicamente, a Observação de Bebês, modelo Esther Bick, torna-se uma oportunidade privilegiada de aproximar e experimentar formas de modulação de proximidade e separação, controle e proteção, intimidade e distância.
A partir daí, torna-se interessante apresentar e discutir o material como em um Seminário de Observação de Bebês, onde os participantes possam refletir juntos, sobre as ansiedades primitivas que os pais, o bebê e o observador podem estar experimentando e ao mesmo tempo pensarmos sobre a forma com que a tecnologia pode estar presente na relação com tais ansiedades.
DA IMEDIATEZ DO ORGANISMO PREMATURO À APOSTA NO BEBÊ: REFLEXÕES SOBRE OS IMPASSES E POSSIBILIDADES NA CLÍNICA PSICANALÍTICA DA PREMATURIDADE Feliciano CMT Melo MFV Este trabalho diz respeito à clínica psicanalítica de bebês, de modo mais específico, enfoca o investimento do outroOutro nas manifestações do bebê prematuro internado em UTI neonatal e o processo de constituição do sujeito. A prematuridade e suas consequências relativas às limitações orgânicas e funcionais desses bebês podem levar os pais e os profissionais a estabelecerem com eles uma relação permeada pela acentuada prevalência do organismo. Assim, os sinais emitidos pelos bebês, quando não investidos ou não interpretados pelo Outro, evidenciam riscos ao processo de constituição do sujeito, dificuldades na aposta na sobrevivência e recuperação dessas crianças. Com base em recortes clínicos de observações realizadas a bebês prematuros e seus pais em um hospital da capital paraibana, refletiremos sobre como as manifestações dos bebês prematuros foram investidas e interpretadas pelas mães, membros da equipe da UTI - neonatal e seus efeitos na sobrevivência e constituição do sujeito. Fundamentada na psicanálise Freud-lacaniana e nos desdobramentos de nossas investigações, supomos que apesar da tendência a haver uma carência nos investimentos e interpretações do outroOutro nas manifestações vocais e corporais dos bebês prematuros, as palavras que lhes são endereçadas podem apresentar-se como possibilidades de conferir um novo lugar de investimento no tratamento a eles oferecidos, contribuindo com a promoção da ultrapassagem da imediatez do organismo prematuro rumo à constituição do sujeito.
Desdobramentos psicopatológicos da identificação projetiva na parte bebê do self SENOS, D. ZORNIG, S. No presente trabalho discutiremos os possíveis desdobramentos psicopatológicos que a identificação projetiva pode assumir quando perde sua dimensão de comunicação primitiva para a constituição subjetiva, em especial à parte mais arcaica do psiquismo. Nessa direção, privilegiaremos como objeto de nosso estudo a parte bebê do self, uma vez que remete às experiências precoces concernentes às primeiras formas de simbolização. Suas falhas se manifestam na clínica através de intensos sofrimentos capitaneados por angústias primitivas, como as de abandono e de separação, que acarretam respostas radicais, tais como a fragmentação e a despersonalização. Consideramos que a identificação projetiva possui um papel central na constituição psíquica, já que é a principal via de comunicação entre a mãe e seu bebê e permeia o âmbito sensorial próprio à rêverie materna. Porém, o que ocorre quando essa forma básica de comunicação não é possível? A parte bebê do self compõe a zona primária da subjetividade, mas também onde residem as mais graves desorganizações psíquicas quando há severas falhas na articulação entre as dimensões inter/intrapsíquica. Como forma de corroborar a nossa pesquisa, apresentaremos um breve fragmento clínico para ilustrar as formas arcaicas de sofrimento próprio à parte bebê do self.
DESEJOS, EXPECTATIVAS E EXPERIÊNCIAS DE MULHERES NO PRIMEIRO CONTATO COM O FILHO APÓS O NASCIMENTO Lamy ZC Gonçalves LLM, Santos APS, Koser ME, Gomes CMRP, Souza PCS, Silva NBP, Martins MS, Assis MRM, Bosaipo DS, Moreira RCS, Rodrigues CB Introdução: O primeiro contato entre mãe e filho deve, sempre que possível, ocorrer logo após o nascimento. O estímulo ao contato pele a pele e à amamentação na 1ª hora de vida são práticas fortemente recomendadas pela OMS. Essas práticas são facilitadoras do vínculo e da construção do papel materno e contribuem para a redução da mortalidade infantil. Objetivos: Conhecer desejos, expectativas e experiências de mulheres em relação ao primeiro encontro com o filho com ênfase no contato pele a pele e amamentação. Metodologia: Pesquisa qualitativa realizada em hospital de ensino, no período de maio a julho de 2016. Participaram 18 mulheres em pré-natal de risco habitual, maiores de 19 anos, com mais de 29 semanas de idade gestacional. Transtorno mental, dificuldade de comunicação e/ou diagnóstico de malformação foram fatores de exclusão. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 18 mulheres, sendo 6 somente no pré-natal e 12 no pré-natal e puerpério. A observação participante aconteceu em 4 partos. Utilizou-se Análise de Conteúdo na modalidade temática. Resultados: Foram encontradas divergências entre desejos, expectativas e experiências em relação ao que iria acontecer no momento do nascimento de seu filho. Para a maioria, o desejo era tê-lo logo em seus braços, mas a expectativa era de fosse apenas mostrados e em seguida realizados procedimentos de rotina. Esses procedimentos, limpeza, aspiração, identificação, pesagem, medida de estatura e vacinação, eram percebidos como algo que iria atrapalhar o contato imediato, mas tidos como práticas usuais e necessárias. Apenas para 2 mulheres a expectativa era de que seu filho viesse logo para seus braços. As experiências das 9 mulheres que tiveram parto normal, estiveram mais próximas de seus desejos, receberam o filho imediatamente após o nascimento e as práticas de rotina foram postergadas, embora por um tempo menor do que uma hora. Já para aquelas que tiveram parto cesáreo as experiências confirmaram suas expectativas. Apenas viram o filho antes de ser levado para a realização dos procedimentos. Destaca-se que limpeza e aspiração, citados por 11 mulheres, são práticas proscritas do cuidado neonatal e não foram realizados. Conclusão: As mulheres nem sempre são ouvidas quanto às suas dúvidas e desejos durante as consultas de pré-natal e as boas práticas relacionadas ao parto e nascimento não são devidamente informadas. Ainda há uma naturalização de procedimentos de rotina que são deletérios à saúde do bebê.
DISPOSITIVOS TECNOLÓGICOS E OS PRIMEIROS MESES DE VIDA DO BEBÊ: REPERCUSSÕES SOBRE A RELAÇÃO MÃE BEBÊ Pimentel, J. F. Pinto, J.
Schaefer, M.P
A presença de equipamentos digitais no cotidiano familiar pode auxiliar tanto no planejamento como na organização de tarefas doméstica. Seu uso, cada vez mais frequente, também ocorre como instrumento de trabalho, diversão e lazer. Por estas razões, os aparelhos digitais habitam precocemente o universo infantil e permeiam a relação inicial mãe-bebê. Assim, com este trabalho, objetivou-se compreender como o uso de dispositivos tecnológicos repercutem na interação mãe-bebê durante os primeiros meses de vida da criança. O estudo, de caráter exploratório e descritivo, constituiu-se por um relato de experiência, tendo como participantes duas díades mãe-bebê, observadas através do Método Bick de Observação de Bebês, durante o ano de 2017. Considerando os dados obtidos, concluiu-se que, embora o aparato tecnológico seja importante instrumento, capaz de auxiliar as famílias na organização e no cuidado com os bebês, seu uso excessivo interfere na relação inicial e primordial que se estabelece entre a díade mãe-bebê e pode ocupar importante espaço nas trocas interativas, necessárias ao desenvolvimento emocional do bebê. Atenta-se assim,  para a necessidade de estudos voltados à compreensão das repercussões da presença da tecnologia na relação-mãe-bebê, para a formação do vínculo inicial desta díade.
Do corpo mãe-sensorialidade do bebê à linguagem-representação-simbolização: nascimento da linguagem e do sujeito ELOISA TAVARES DE LACERDA Este trabalho busca 1 articulação entre vivências clínicas com pais-bebê (ou adultos que me trazem seus bebês que 1 dia foram) num dispositivo analítico bem pouco ortodoxo e 1 articulação teórica movida pela questão da linguagem corporal/sensível/perceptiva, ou seja das linguagens que buscam dar conta de traumatismos em tempos tão iniciais da vida e, ainda, sem palavras, registrados no próprio corpo. Em outras palavras, trata-se do bebê/criança pequena fazendo uso de sua sensorialidade, ou seja, as chamadas linguagens não verbais. Para articular teorização e clínica trago 1 caso que exigiu 1 aproximação importante para construir 1 espaço mais simbólico para a mãe de modo a poder sustentar 1 tradução/narratividade para a mãe e para a criança que, ao poder falar da depressão pós-parto de sua mãe, recorre à linguagem para contar algo que registrou/traduziu em palavras no plano ainda marcado pela sensorialidade do bebê. A retomada do fragmento clínico me permitiu experimentar o "terceiro analítico" de Thomas Ogden ou o "terceiro intersubjetivo" parafraseando Nelson Coelho Jr.
ESCREVER E INSCREVER A MATERNIDADE ATRAVÉS DOS BLOGS Arteiro, IL Passos, MC Em face do avanço tecnológico, assistimos à transição da escrita em diários secretos para a publicização dos conteúdos íntimos nos dispositivos que compõem o Ciberespaço tais como os blogs. Nestes espaços temos a impressão de que os sujeitos realizam, através da escrita, uma espécie de costura de si, visando alcançar maior coerência e organização de determinadas experiências e, portanto, de sua própria identidade. Nesta lógica, abre-se um campo de investigação interessante entre maternidade e cibercultura. Enquanto no final do século XIX o exercício da maternidade recebia fortes interferências dos especialistas, no início do século XXI as novas tecnologias tornam-se lugares de interação para as mães, que através do compartilhamento de suas experiências, colocam em xeque discursos técnicos em prol de um saber oriundo da experiência singular de cada mulher. O encontro com a maternidade – ao passo que é capaz de proporcionar uma experiência de realização e satisfação – pode, paradoxalmente, representar, para muitas mulheres, um retorno a um estado de profundo desamparo. Em passado não muito longínquo, a experiência de “aprender” sobre os cuidados com os bebês a partir do entorno familiar funcionava como uma espécie de transmissão sensível e sutil, quase intuitiva, dos elementos necessários para essa prática. Voltadas majoritariamente para a carreira e outros interesses, as mulheres foram se distanciando da maternidade e da família como lugar de transmissão destes saberes. Importante frisar que o sentimento de insuficiência frente às demandas da maternidade nem sempre corresponde à ausência de conhecimentos técnicos sobre o cuidado de bebês, mas sobretudo à exiguidade de referenciais maternos e de um entorno protetor que possam colaborar com a construção deste papel. Nesse sentido, sustentamos a proposição de que o ambiente da internet, mais especificamente os blogs de maternidade, podem se ocupar de fazer a função dos lugares tradicionais – familiar e comunitário – onde as antigas, recém e futuras mães possam interagir e fazer circular a palavra a respeito das experiências relativas à maternidade nos dias atuais, chamando-nos a atenção para as justificativas em torno das quais elas desenvolvem essa prática. Os discursos proferidos pelas mães são produtores dos mais diversos sentidos relativos à maternidade num espaço onde se busca legitimidade e reconhecimento social.
ESPAÇOS CONFIGURADOS PARA O BRINCAR - Como a escolha dos materiais e a organização do tempo e do espaço favorecem a brincadeira das crianças? Ana Paula Yazbek Os bebês e as crianças pequenas iniciam suas brincadeiras a todos os momentos, basta notarem algo que chame sua atenção, se aproximam e começam a fazer suas descobertas: chacoalham, levam à boca, batem, lançam... numa exploração errática, que muitas vezes se repete até que algo diferente os interrompa ou lhes interesse. Por isso, é importante que em espaços educativos, como berçários e creches a seleção dos materiais e a organização dos espaços sejam planejados de modo a favorecer a livre exploração e a criação de suas brincadeiras.
Os objetos selecionados para compor cada ambiente, devem seguir critérios de segurança, ao mesmo tempo em que devem oferecer diferentes possibilidades de exploração. Preferencialmente, devemos selecionar materiais não estruturados, como tocos de madeiras, pedaços de tecidos, utensílios domésticos, pois têm diferentes funções a partir do uso e significado que cada criança lhes atribui no momento da brincadeira.  
Além da seleção dos materiais, os educadores devem cuidar da maneira como eles são dispostos e oferecidos às crianças, de modo a torna-los atrativos. Para isto, devem planejar os espaços a serem organizados e garantir tempo para que a exploração ocorra de modo intenso por elas.
Enquanto as crianças brincam, os educadores devem observá-las e estarem atentos para intervir em caso de necessidade, em situações de perigo, desorganização ou para oferecer novos objetos.
À medida que as crianças brincam, elas começam a interagir umas com as outras, por meio da partilha dos brinquedos, do toque, troca de olhares e possíveis disputas. Cabendo aos educadores, a sensibilidade sobre qual a melhor maneira de intervir, de modo a sempre garantir a ação livre e interessada de cada uma das crianças.
Ao longo desta oficina, apresentaremos imagens e filmes das crianças brincando em espaços estruturados para serem analisadas conjuntamente.
Família Acolhedora e Primeira Infância Almeida RV   O Famílias Acolhedoras oferece acolhimento familiar a crianças de até 3 anos, em situação de alta vulnerabilidade pessoal e social, afastados da família de origem ou extensa, por determinação judicial, como medida de proteção excepcional e provisória. Conforme preconiza o ECA, a inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar tem preferência a seu acolhimento institucional. As famílias acolhedoras realizam o cuidado integral da criança até que esta possa ser reintegrada à sua família, ou na impossibilidade de retorno, seja encaminhada para adoção.
Pesquisas voltadas à primeira infância apontam dados alarmantes sobre os atrasos significativos no desenvolvimento das crianças pequenas quando acolhidas em instituições. Apesar de todos os esforços para investir em recursos humanos e estrutura física, alguns aspectos intrínsecos ao cuidado institucional não mudam e interferem negativamente no desenvolvimento da criança. Nas instituições os cuidados são realizados por adultos que se revezam em plantões e, muitas vezes, não se mantém no trabalho por longos períodos. Tal configuração ressoa como negligência emocional para as crianças. A continuidade dos cuidados e a consistência das relações emocionais são condições básicas para o desenvolvimento do apego saudável e da confiança nos relacionamentos com outras pessoas nas fases posteriores da vida. Além disso, o vínculo estabelecido entre o bebê e seu cuidador tem estreita relação com seu desenvolvimento cerebral saudável, influenciando o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo nos anos que se seguem, razão pela qual, se a criança for privada da relação com um cuidador principal ou se vivenciar relações sem qualidade e estimulação, seu processo de crescimento e desenvolvimento será seriamente afetado.
Partindo da premissa que os primeiros anos de vida são fundamentais no desenvolvimento de toda criança, o Instituto Fazendo História definiu a realização de um serviço de acolhimento familiar que destinado ao cuidado de crianças entre zero e três anos de idade, garantindo tudo o que ela precisa para se desenvolver de forma saudável no período em que estiver afastado de sua família de origem.
O Instituto realiza a captação, avaliação e qualificação das famílias acolhedoras, além do acompanhamento técnico grupal e individualizados das mesmas.
FAZER DE CONTA OU FAZER CONTA? ANOTAÇÕES SOBRE AS NOVAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESTINADAS À PRIMEIRA INFÂNCIA NA CONTEMPORANEIDADE Debora Ferreira Leite de Moraes Partindo da premissa que a criança está na linha de frente do sintoma social, serão apresentados, no presente trabalho, alguns exemplos de novas tecnologias pedagógicas destinadas à primeira infância - nomeadamente aulas de liderança e coaching infantil. Pretende-se discutir, a partir das ilustrações, se as justificativas e expectativas tanto dos pais quanto dos educadores se apoiam na racionalidade neoliberal e se as implicações dessas novas técnicas podem indicar novos ideais e novas formas de subjetivação na contemporaneidade. Se por um lado vamos supor que há uma generalização do modelo-empresa como lógica normativa, inclusive nas práticas escolares destinadas à primeira infância, por outro, iremos também presumir que isso não acontece sem consequências do ponto de vista psíquico. Considerando que o brincar é essencial para a constituição do psiquismo – estamos aqui nos apoiando em considerações no campo da psicanálise -, e se no lugar do faz de conta nossas crianças fazem conta, devemos investigar os pormenores da instrumentalização do brincar ou da substituição por uma preparação exaustiva para o mercado de trabalho desde o berçário. Trata-se de expor, nessa apresentação, algumas anotações - resultados parciais -, de uma pesquisa de pós-doutorado, em andamento, na Universidade de Brasília.
Palavras-chave: Primeira infância, Subjetivação, Psicanálise, Neoliberalismo, Contemporaneidade.
Fonoaudiologia educacional: reflexões acerca da Medicalização da Educação Gertel, M. C. R. Tenor, A. C. A literatura fonoaudiológica é vasta em apresentar referências quanto às atividades do fonoaudiólogo em diferentes campos de atuação relacionados à comunicação humana Ao longo dos últimos anos práticas fonoaudiológicas educacionais têm sido direcionadas para identificar alterações de linguagem e aprendizagem do aluno. Diversos profissionais têm debatido esse contexto que, em última instância, se reflete no fracasso escolar.
Objetivo: refletir sobre o papel da fonoaudiologia educacional e o processo de medicalização na educação.
 Método: Pesquisa bibliográfica com uso das palavras chaves: fonoaudiologia educacional e medicalização da educação.
Resultados: Ao longo dos últimos anos temos tido a oportunidade de acompanhar trabalhos e publicações da área que, apesar de uma proposta institucional, continuam a assinalar uma forte tendência de manter o olhar clínico na Escola. Isso pode ser bem observado em diversas publicações que priorizam categorizar a performance e a produção de linguagem oral e escrita dos alunos e suas alterações. Aquele que não apresenta o desenvolvimento esperado resta o fracasso escolar cujas causas têm sido diagnosticadas por profissionais da saúde vistos como capazes de solucionar o problema.
Desloca-se assim o olhar do professor das questões metodológicas e dos processos de ensino e aprendizagem para dificuldades que se caracterizam como desvios ou patologias que deverão ser solucionadas por profissionais da saúde como o fonoaudiólogo, o psicólogo, o psicopedagogo. Questões sociais passam a ser vistas e compreendidas como biológicas e intrínsecas ao desenvolvimento da criança
 Conclusão: Ao longo dos últimos anos trabalhos e publicações da área, apesar de uma proposta institucional, continuam a assinalar forte tendência de manter o olhar clínico na Escola. Iniciativas procuram incentivar outras possibilidades de atuação com ênfase na singularidade do processo de aprendizagem e no papel que a Escola exerce como instituição formadora de cidadãos tanto na rede regular de ensino como na educação especial. A atuação do fonoaudiólogo educacional requer conhecimento do contexto educacional e das particularidades da instituição onde está inserido.  Só assim as ações a serem desenvolvidas poderão favorecer a cidadania e reverter benefícios para toda comunidade. Essa é a meta daqueles que pensam a Educação para além dos muros da Escola.
FORMAÇÃO DE PROFESSORES COM PAIS EM CRECHE POR MEIO DOS IRDI: UM DISPOSITIVO DE CUIDADOS DESTINADO AOS CUIDADORES PRIMORDIAIS DO BEBÊ CONTEMPORÂNEO Merletti C. K. I.   FORMAÇÃO DE PROFESSORES COM PAIS EM CRECHE POR MEIO DOS IRDI: UM DISPOSITIVO DE CUIDADOS DESTINADO AOS CUIDADORES PRIMORDIAIS DO BEBÊ CONTEMPORÂNEO

Cristina Keiko Inafuku de Merletti

          A falta de informação sobre a constituição do psiquismo no desenvolvimento dos bebês e a relação de saber entre pais e educadores nos cuidados do pequeno humano, geram ambivalência e rivalidade entre estes agentes no campo da Educação Infantil, dificultando a necessária articulação de ambos na primeira infância. Tal constatação se deu em contexto de creche, em pesquisa interventiva de doutorado. Fundamentou-se a criação de um dispositivo de formação dialógica para pais com educadores em prol de ações integradas nesta fase primordial do desenvolvimento infantil. Utilizou-se a Metodologia IRDI (Indicadores de Risco no Desenvolvimento Infantil) nas Creches e os fundamentos teóricos da Educação Terapêutica, ambos pautados em conceitos e na concepção de sujeito da Psicanálise.
O estudo apontou que a singularização de um bebê no âmbito coletivo de creche depende, em grande parte, das significações que o educador atribui, não somente à criança em si, mas também aos seus pais. Estas significações produzidas pelo educador na Educação Infantil são decorrentes da divisão, da diferença e, ao mesmo tempo, da similaridade de parte de seus cuidados destinados aos bebês com a função materna e com a função educativa dos pais.
          Constatou-se que a estratégia de trabalho com pais e professores apresentada no estudo, denominada Formação por Meio dos IRDI com pais e professores na creche, indicou seu potencial preventivo, interventivo e auxiliar na constituição psíquica da criança no campo da Educação Infantil. Esta estratégia de formação buscou “tratar” as relações entre pais e professores, fundamentalmente no período em que o pequeno sujeito em constituição ingressa o campo institucional escolar, cada vez mais cedo, com menos de seis meses de idade. Por isso, a tese apresenta os fundamentos de um tratamento precoce das relações entre pais e professores na educação infantil, visando prevenir rupturas nesta relação inicial, colaborando para a articulação das funções educativas subjetivantes dos educadores e pais, e auxiliando a promoção da saúde mental no tempo da primeira infância.
Grupo de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil Wajntal M. Eleutério GJ ,  Neves LF , Souto TS ,  Gomes LF , Melo MIVR Diante da necessidade de implantação de um fluxo ágil de assistência a bebês e suas famílias em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) foi proposto um dispositivo aberto e acessível para a população - o Grupo de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil - ao qual as famílias possam recorrer quando necessário, sem obstáculos institucionais, como regulação de vaga, fila de espera e agendamento prévio.
A UBS Vila Romana, da Zona Oeste do Município de São Paulo, já conta com um sistema rápido de recepção de recém-nascidos, propiciando pronto atendimento em consulta pediátrica, mas não havia um espaço interdisciplinar para o acompanhamento do desenvolvimento que levasse em conta aspectos psíquicos, sociais, cognitivos, de linguagem e motores destes bebês.
Em abril de 2017 implantou-se um grupo aberto, coordenado por uma psicóloga, uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga, com retaguarda da pediatra. Foi organizada uma programação semanal para que qualquer familiar pudesse frequentar, sem necessidade de inscrição prévia, bastando comparecer no horário. O trabalho da equipe propõe dar sustentação a pais, mães, avós e demais cuidadores no processo de maternagem e paternagem, valorizando a primeira etapa da vida como fundamental na constituição do bebê. Amplia-se a ação de profissionais e cuidadores para que se dirijam ao bebê, entendendo que seu crescimento e competências são, também, fatores de comunicação e interação com o cuidador, além de valorizar as falas em torno da criança e desenvolver uma abordagem “Clínica em Saúde”, sem apenas pensar em doença, propiciando a constituição e/ou fortalecimento do laço do bebê com seu cuidador.
Avaliou-se o número de crianças que poderiam ser incluídas no projeto a partir do total de crianças  inscritas na pediatria e puericultura, no período de abril a agosto de 2017, o que resultou em 102 crianças, de 0 a 2 anos e 11 meses. Considerando-se que, todo mês, bebês nascem e saem desta faixa etária e que foram acompanhados 26 bebês no grupo, neste período, a abrangência foi adequada. Diferentes dificuldades foram identificadas e os bebês, cuidados prontamente, e, responderam muito bem, mostrando a eficácia de uma intervenção a tempo. O grupo mantém-se com a participação da psicóloga e da pediatra e conta, atualmente, com uma parceria no âmbito do COAPES-USP. A parceria apresenta-se como iniciativa de educação permanente, potencialmente facilitadora de experiências semelhantes.
GRUPO DE GESTANTES E O INÍCIO DA PARENTALIDADE: UM ESPAÇO POTENCIAL PARA SONHAR O BEBÊ... Harbs CM Osorio B GRUPO DE GESTANTES E O INÍCIO DA PARENTALIDADE: UM ESPAÇO POTENCIAL PARA SONHAR O BEBÊ...
 
Habitare Centro de Atendimento, Estudo e Pesquisa em Psicanálise e Psicossomática- Espaço Mãe Migrante Marie Rose Moro, é uma Organização não Governamental dedicada ao estudo da dinâmica psíquica da gestação e do desenvolvimento emocional da criança até três anos, atuante através de diversas frentes: clínica social, pesquisa, estudos e formação profissional sobre o período perinatal. As mudanças psicológicas ocorridas na gestação, tem como finalidade última preparar a mãe e/ou pais para cuidar do futuro bebê, atendendo suas necessidades. Para isso a mãe precisa entrar num estado psíquico especial, com uma nova organização nomeada por Daniel Stern de “constelação da maternidade”. Já na década de sessenta, Winnicott havia trazido luz à compreensão das profundas alterações psíquicas ocorridas na gravidez, que se comparam com aquelas ocorridas em quadros patológicos graves. Estes autores chamam nossa atenção para fatores psíquicos responsáveis por mudanças afetivas e comportamentais na futura mãe, ampliando o nosso olhar para questões de outra natureza, além daquelas explicadas pelas alterações hormonais. Quanto ao início da parentalidade, os estudos atuais mostram que a interação dos pais com a criança tem origem já na gestação, e até mesmo antes dela nos sonhos do casal. Assim, tão importante quanto o acompanhamento da gestação através do pré natal, a gestação psíquica necessita ser acompanhada de cuidados especiais. Desta forma, o Grupo de Gestantes com tais características é indispensável, pois constitui um espaço de acolhimento empático, sem julgamento, no qual a mulher e/ou os pais podem ser acompanhados nas profundas alterações psicológicas que acompanham a construção da parentalidade. Este recurso constitui um forte dispositivo de prevenção em saúde mental, na medida em que torna possível identificar sinais de risco que poderão comprometer as funções parentais e consequentemente o desenvolvimento do bebê.

Palavras chave: parentalidade; prevenção; grupo de gestantes; saúde mental.
Grupo Terapêutico Interativo com Pais e Crianças Pequenas Lavrador MB Merletti CKI; Pesaro ME O Lugar de Vida – Centro de Educação Terapêutica acumula uma experiência clínica que aposta, há décadas, no trabalho em grupos heterogêneos como parte do projeto terapêutico de algumas crianças com transtornos psíquicos e do desenvolvimento de diversas ordens, incluindo os Transtornos do Espectro do Autismo.  Tais grupos apostam nos efeitos terapêuticos inéditos que, em alguns casos, o encontro entre crianças pode produzir, na direção de possibilitar uma circulação por diferentes posições discursivas que pode culminar em mudanças decisivas na subjetivação de tais crianças (Kupfer et at, 2010). Por sua vez, o aumento de bebês e crianças pequenas encaminhados para a instituição nos últimos anos proporcionou experiências de grupos terapêuticos com crianças em sua primeira infância. Um dado clínico recorrente observado nesses grupos era de que, em muitos casos, os pais também sofriam diante das dificuldades cotidianas com seus filhos. Para trabalhar este aspecto, apostou-se na participação dos pais em alguns encontros dos grupos de crianças, o que se configurou, com o tempo, em um novo dispositivo de trabalho nomeado de Grupo Interativo com Pais e Crianças Pequenas, que será apresentado nessa oficina. Destacaremos os efeitos que o encontro de uma criança pequena com outra criança, com seus pais ou com os pais de outras crianças pode ter, na direção de propiciar, dentre outros aspectos: 1) a instauração da alteridade e da alternância entre a presença e a ausência materna por meio de jogos e posições de transitivismo entre as crianças e entre pais-criança; 2) a narcização dos pais em relação aos seus filhos, por vezes bastante fragilizados em suas funções frente às dificuldades na relação com a criança; 3) a promoção de um espaço transicional de jogos, falas e construções de linguagem entre pais e crianças, por meio do brincar e da sustentação do prazer compartilhado. Serão apresentados os pressupostos teóricos e os objetivos terapêuticos que sustentam tal proposta interventiva institucional, bem como cenas clínicas que destacam os efeitos inéditos que os grupos promoveram no tratamento da primeira infância, levando em conta a singularidade de cada situação.
Identificação dos homens com a paternidade: um olhar psicanalítico Martins RCA Caporal L O presente trabalho objetiva analisar como os pais entendem e constroem a paternidade a partir do olhar da Psicanálise. Partindo de uma análise histórica sobre o lugar que o homem ocupa na sociedade e na família, que vai da era medieval até os dias atuais, foi possível identificar que os fatores culturais e sociais, somados às suas experiências enquanto filhos e o espaço que mãe da criança concede para a relação pai-filho, são determinantes para a construção desses novos pais. Para a execução desta investigação, foi utilizado o método bibliográfico, pois através dos escritos científicos que apresentam os conceitos-base da teoria psicanalítica, como o complexo de Édipo e a função paterna, direcionamos esta pesquisa. Foi percebido que desejo do homem em ter um filho é resulto de seu material inconsciente adquirido no período em que vivenciou o complexo de Édipo e desejou ser fecundado para dar um filho à sua mãe. O lugar que ele ocupa enquanto pai, é o de terceiro elemento da tríade parental, o interdito, ele é responsável pela quebra do vínculo entre mãe e bebê. É necessário que o pai construa uma maneira de se comunicar com seu filho que seja exclusiva a deles dois e não remeta à forma como mãe e bebê se comunicam.
IMPLICAÇÕES DO IDEAL IGUALITÁRIO NA ESTRUTURA FAMILIAR: TRANSFORMAÇÕES CONSTITUTIVAS E DISPOSICIONAIS Santos CVM Gomes IC A estrutura familiar contemporânea tem sido influenciada progressivamente por um ideal igualitário que tem atuado como catalizador de novas práticas e discursos em torno, principalmente, da parentalidade. Como alguns pressupostos desse ideal podemos citar: as conquistas derivadas do movimento feminista; a dissociação entre casamento e procriação; a parentalidade como um projeto do casal; a subversão dos acessos para homens e mulheres dos espaços públicos e privados; a expansão das relações igualitárias associada aos centros urbanos, a população de maior poder aquisitivo e com maior acesso à formação educacional. Diante desse contexto, propõe-se a apresentação de algumas implicações do ideal igualitário na transformação da estrutura familiar. Esta discussão foi fundamentada numa pesquisa de doutorado em andamento que tem como objetivo analisar as interações diádicas e triádicas entre pai, mãe e bebê e a assunção do cuidado parental igualitário, enquanto uma prática possível na contemporâneidade. Sob a perspectiva teórica da Psicanálise e dos Estudos Psicossociais o estudo foi conduzido por meio de uma adaptação do Método Bick de Observação Infantil na qual duas famílias provenientes da cidade de Maceió foram acompanhadas do 6º ao 9º mês de idade dos bebês. Como instrumento complementar também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os casais. Logo, a partir dos dados coletados, faremos um recorte da discussão teórica em torno das transformações, a partir da influência do ideal igualitário, nas dinâmicas relacionais estabelecidas entre os membros familiares na contemporaneidade. A título de sistematização, podemos falar em transformações constitutivas e disposicionais. Esta divisão leva em conta a ressonância das relações igualitárias e a assunção de um paradigma afetivo atuando como organizador da vinculação entre indivíduos. Conclui-se que o que é considerado família passa a ser associado a diferentes formatos, o que subentende um alargamento dos limites estruturais. Nesse ínterim, podemos pensar na possibilidade da horizontalização de poderes e na circulação de lideranças entre funções e papéis paternos e maternos; e na flexibilidade dos estereótipos de gênero presentes na divisão dos cuidados parentais.


Observação: caso este trabalho seja aceito pela comissão, sugerimos que ele componha uma mesa configurada junto às colegas Danielly Passo e Nathalia Teixeira Caldas Campana, integrantes do mesmo grupo de pesquisa no IPUSP.
Interações sonoras entre bebês irmãos de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo e suas mães Brito, TS Lerner, R; Durand, J; Geraldini, SB Irmãos de crianças com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) possuem chance aumentada de apresentarem problemas em seu desenvolvimento em comparação aos irmãos de crianças sem este diagnóstico. Este trabalho tem como objetivo apresentar dados preliminares problematizando se a condição de possuir um irmão mais velho com TEA leva a dificuldades no processo de aquisição de linguagem em comparação com aquelas crianças que não possuem um irmão com este diagnóstico. Esta pesquisa faz parte de um estudo maior no qual famílias foram avaliadas quanto a saúde mental materna, desenvolvimento do bebê e interação mãe/bebê, comparando os escores de famílias contendo uma criança com o diagnóstico de TEA e famílias contendo uma criança sem este diagnóstico a fim de verificar possíveis associações nas dimensões já citadas. A presente pesquisa se aterá a díades com bebês de até 12 meses e 29 dias a fim de se verificar possíveis associações entre os instrumentos SEAL (Sinais Enunciativos de Aquisição de Linguagem), ADBB (Alarm Distress Baby Scale), IRDI (Indicadores Clínicos de Risco para o desenvolvimento Infantil) e CIB (Coding Interactive Behavior).
Internação do bebê em UTI Neonatal e alta materna: uma separação precoce Oliveira, IGM Alcântara, KCGM O nascimento prematuro e a internação em UTI Neonatal adiam significativamente o encontro mãe-bebê, e impõe um período prolongado de separação entre eles, deixando mãe e filho em um estado vulnerável de desamparo. Considerando as separações implicadas ao nascimento de um bebê prematuro, buscou-se, com esse estudo, conhecer os significados atribuídos pelas mães sobre a separação mãe-bebê após sua alta e permanência do filho em UTI Neonatal. São apresentadas narrativas de cinco mães de bebês prematuros, internados em UTI Neonatal. Elas foram entrevistadas após a comunicação de sua alta hospitalar, a partir da questão disparadora: “Conte-me sobre como é para você ter recebido alta hospitalar”, a fim de possibilitar a livre associação de ideias. Os materiais obtidos foram analisados à luz do referencial psicodinâmico acerca das relações iniciais mãe-bebê e organizados em núcleos de sentido, distribuídos em cinco categorias: De barriga e braços vazios; Longe dos olhos: a dualidade presença ausência; O corpo saudável dividido: ainda somos um só?; O lugar do bebê: transitando entre o concreto e o simbólico; A mãe prematura e o apoio suficientemente bom. A partir deste estudo sugere-se que a separação mãe-bebê num momento inicial de suas relações seja permeada por sentimentos intensos, associados à dialética entre a unidade e separação. Esperam-se reflexões que conduzam à ampliação do cuidado prestado no contexto da prematuridade, estendendo a atenção centrada do recém-nascido para suas mães e figuras de referência.
Intervenção precoce e microcefalia:  Do fantasma ao Desejo HACHEM, Simone PG Lima, Anderson Apresentaremos o caso de um bebê com um quadro de microcefalia (grau II) e as modalidades singulares de manifestação da criança que nos provocou a escrita deste caso. Vamos fazer uma pequena visitação à história da criança, seu nascimento, a chegada na instituição (CAIS) e sua relação com a mãe. Em seguida, abordaremos seu tratamento individual e a construção do caso em equipe e por fim, apresentaremos algumas interrogações que esse caso nos coloca.
INTERVENÇÃO PRECOCE NA VINCULAÇÃO MÃE E BEBÊ GEMELAR EM SITUAÇÕES DIFERENCIAIS. Lucia HELENA MORIEL ROMERO COSTA Laura Romero Costa
 Lydiane Bocamino
INTERVENÇÃO PRECOCE NA VINCULAÇÃO MÃE E BEBÊ GEMELAR EM SITUAÇÕES DIFERENCIAIS. 
                                                                                         
                                                                                

Resumo
 
Esse estudo tem como objetivo correlacionar à clínica e a teoria psicanalítica de um atendimento de gêmeos prematuros de 34 semanas, sendo que um dos bebês vivia em risco na UTI Neonatal por 115 dias e o outro saudável em casa, visa colaborar na construção vincular com os pais e seus gêmeos em situações diferenciadas. A gestação e maternidade foram permeadas por conflitos e sentimentos ambivalentes desde seu início, com incertezas na fertilização, gestação gemelar, prematuridade, sendo necessário a UTI Neonatal para um dos bebês.
Muitas vertentes de trabalho podem se abrir, privilegiaremos a Intervenção Precoce na relação vincular dos pais com seu bebê na UTI Neonatal e suas vicissitudes no desenvolvimento da criança. Ocorreram atendimentos semanais na UTI Neonatal, e na casa com o bebê saudável e suporte aos pais. O trabalho de intervenção precoce manteve saudável esse bebê, que nos respondeu com seu olhar, corpo, e a toda estimulação.
Palavras Chave: Intervenções Precoces.  UTI Neonatal. Vinculo Afetivo. Psicanálise.
Obs** Trabalho todo filmado.
Intervenções Interdisciplinares na Primeira Infância com  Diagnósticos Precoces de  TEA Costa, P. G. Ojeda, R. M. À partir da clínica realizada no Programa Bebês com Risco em Saúde Mental do Centro de Referencia da Infância e Adolescência no Departamento de Psiquiatria (CRIA), ambos na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), recortaremos questões que tem tido incidência significativa nesta clínica com bebês, trata-se de uma busca por atendimento feita por pais, cuja filha recebeu um diagnóstico de TEA de outro serviço.
Após a criança passar por avaliação no programa, não se confirma esse parecer. Porém se trata da existência de sinais de risco relacionados à dificuldade na vinculação entre pais e filha.
Falamos aqui de situações clínicas onde o diagnóstico precipitado amplifica as angústias e dificuldades nas funções parentais. A complexidade de se pensar um diagnóstico precocemente dado às crianças pequenas com dificuldade no vínculo e brechas no desenvolvimento, segundo Almeida et al (2017), refere-se a busca automática por sinais ou manifestações sintomáticas, que por vezes transitórias e paralelas ao desenvolvimento comum, podem fazer parte do processo de subjetivação da criança e de suas vivências na dinâmica familiar.
Desta maneira, nosso trabalho de intervenção tem sido convocado, de forma intensa, a aprofundar estratégias clínicas ao abordar, inicialmente, a angústia dos pais que se deparam com um diagnóstico precipitado. Portanto focalizaremos nesta apresentação um caso clínico, cujos recortes elucidarão essa problemática e  as estratégias clínicas usadas pela equipe. Tais recortes serão ilustrados por meio de vídeos gravados durante os atendimentos terapêuticos na instituição.

Bibliografia
Almeida, M. M. et al. O bebê e o Outro: seu entorno e suas interações. Editora Instituto Langage, São Paulo, 2017.
Intervencões oportunas em Bebes com Sinais de Risco em Saúde Mental vera blondina zimmermann Equipe: Geovanette, G; Mori, J; Vieira, S; Andrade, Domingos; Mello, Andrea; Banzato, Denise; Otsubo, M; Gandolfo, Paula; Assef, M. A proposta desta Oficina será a de apresentar o modelo do serviço, explicitando seus diferentes tipos de atendimento multidisciplinar, individuais e grupais, com a criança, família e escola, via descrições, fundamentações teóricas-clinicas e vídeos de atendimentos realizados. Falamos de Projetos terapêuticos  “organizados a partir da detecção de riscos na constituição psíquica e no desenvolvimento, buscando desobstaculizar o circuito pulsional” (Laznik, 2001; IRDI, PREAUT)
Limites, paradoxos e complexidade do cuidado a amamentação para profissionais do Banco de Leite Humano do IFF/Fiocruz Moura LNF Oliveira CNO, Azevedo CS Trata-se de uma pesquisa qualitativa sobre a temática da amamentação. O objetivo principal foi investigar o cuidado a amamentação no Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) a partir da compreensão dos profissionais que nele atuam. A questão fundamental que conduziu a pesquisa de campo foi: quais os sentidos da prática de cuidado a amamentação no BLH do IFF? A intenção em buscar compreender esta questão surgiu do interesse de se pesquisar acerca do cuidado, compreendido como uma ação essencialmente humana que tem a ver com a possibilidade de dar e receber no encontro com o outro. Especificamente, pretendeu-se abordar o cuidado a amamentação, processo complexo que envolve o relacionamento mãe-bebê em seu tempo primordial, no qual a preocupação materna primária rege as possibilidades psíquicas da mãe para dar seu peito ao bebê. O cuidado primário passa pela alimentação ao seio, sendo que é este ato que possibilita ao bebê o vir a ser, o amparo, a constituição subjetiva, a partir das trocas afetivas e da criação de um ambiente facilitador para a maturação individual. O aleitamento materno, promovido, protegido e apoiado pelo BLH, é o foco do trabalho dos profissionais de saúde que atuam nesse espaço – de intersubjetividade, trocas afetivas, implicação subjetiva. A partir da realização de um Grupo Focal com 8 desses profissionais, analisamos o material discursivo a partir da abordagem da psicossociologia clínica, que compreende a questão do sentido e das significações, conscientes e inconscientes, das práticas de saúde. Compreendemos, com a metapsicologia do cuidado e com as contribuições da psicanálise winnicottiana, que vários são os limites e paradoxos das funções dos agentes de cuidado no BLH do IFF. Estes apontam para a complexidade do cuidado a amamentação, que requer uma formação profissional que considere os aspectos afetivos da intervenção clínica em um momento singular de relação mãe-bebê na qual a mulher encontra-se em um estado de vulnerabilidade psíquica.
MANIFESTAÇÕES PSICOSSOMÁTICAS NO PRIMEIRO ANO DE VIDA: ESTUDO PSICODINÂMICO DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (RGE) E DA CÓLICA DO PRIMEIRO TRIMESTRE ZACARA, D. J. dos S. BARROS, I. P. M. de Estudos de relevância na área do desenvolvimento infantil tais como Winnicott, Edelstein e Bowlby apontam que o olhar da mãe é fundamental na constituição do bebê como sujeito. Levando em conta o referencial teórico da psicanálise, pesquisas ressaltam que, quando o olhar da mãe se desvia da criança, o não investimento libidinal no bebê pode se tornar problemático. Assim, destaca-se a importância da maternagem e do ambiente, não só como facilitadores, mas também como fonte de eventuais entraves na formação individual já que as bases para saúde mental de um sujeito, assim como para a formação do Eu, estão sustentadas na primeira infância pela mãe. O objetivo da pesquisa cujo recorte será aqui apresentado gira em torno do aprofundamento do conhecimento acerca dos aspectos psicodinâmicos de 2 pares mãe-bebê com diagnóstico de refluxo gastroesofágico, 2 com diagnóstico de cólica do primeiro trimestre e 2 pares de mãe e bebê sem nenhum dos dois sintomas, a fim de estabelecer possíveis relações com as referidas manifestações psicossomáticas apresentadas pelos bebês. Para fazer parte da amostra, as mães deveriam ter idades entre 28 e 40 anos e seus respectivos filhos deveriam ter entre 0 e 1 ano de idade (ambos os sexos), de qualquer classe social. Foram instrumentos de coleta de dados uma entrevista semi-estruturada, 3 pranchas do Teste de Apercepção Temática (TAT) e uma observação naturalista. Estudo qualitativo e exploratório, a amostra foi composta por conveniência, selecionando mães do meio social. Os procedimentos de análise foram quanti-qualitativos. Foi escolhido um dos casos do qual serão apresentados recortes para que se possa discutir alguns aspectos da relação materno-filial em tempos primordiais, dificuldades na maternagem e de que forma aspectos do funcionamento do psiquismo materno podem acarretar manifestações psicossomáticas de refluxo e cólica no bebê. Por outro lado, sabe-se que há um interjogo relacional entre mãe e filho e, portanto, o mal estar do bebê causa efeitos na maneira como as mães se sentem no exercício da maternagem suficientemente boa, os quais também serão apresentados e discutidos. A partir dos resultados, pretende-se construir um material informativo para a sociedade, especialmente para mães. Acredita-se que esta pesquisa poderá trazer contribuições para estudos posteriores, incluindo estratégias de prevenção no campo da psicologia e da psicossomática.
Palavras-chave: maternidade, cólica, desorganização psicossomática
MATERNIDADE E ESCLEROSE MÚLTIPLA: O DESAFIO DA TRANSIÇÃO PARA A PARENTALIDADE Gomes MBC Granato TMM O presente trabalho apresenta um recorte de minha pesquisa de doutorado que tem como objetivo investigar a experiência emocional de casais durante a transição para a parentalidade. Optei por compartilhar a trajetória de Cristal, uma gestante com diagnóstico de Esclerose Múltipla (EM) e seu companheiro Ônix.
Defino a pesquisa realizada como um estudo qualitativo de inspiração psicanalítica, compreendendo que embora seja realizada fora do contexto clínico, em encontros pontuais entre pesquisador e participante, assumindo uma configuração diferente dos estudos clínicos psicanalíticos, preserva os elementos essenciais do encontro psicanalítico ao longo do percurso metodológico. Cristal e Ônix participaram de quatros encontros realizados em momentos emblemáticos da transição para a parentalidade, assim nos encontramos no último trimestre gestacional, no pós-parto, no quinto e décimo oitavo mês de vida do bebê.
Em nossos encontros, Cristal narrou sua trajetória até o diagnóstico da EM e sua frustração ao ser informada por seu neurologista que não poderia realizar o parto normal e amamentar conforme desejava, devido às limitações impostas pela doença. Relatou o retorno das dores após o parto e a consequente, impossibilidade de cuidar do bebê como tinha idealizado. Suas falas pareceram traduzir constantemente seu questionamento em relação à qualidade de seu vínculo com seu bebê, ao que faz o relacionamento com seu filho ser único, o que a torna especial? Cristal pareceu se perguntar: Como ser mãe sem poder dar colo e amamentar? O percurso de Cristal rumo à maternidade explicitou tanto seu desejo de estabelecer uma maternagem suficientemente boa, quanto sua decepção, ao se confrontar com seu próprio ideal de “boa mãe”, já que as limitações físicas não permitiam que se dedicasse do modo que sempre sonhou.
O privilégio de acompanhar a trajetória do casal ensejou novas reflexões sobre o processo de transição para a parentalidade, seja questionando o peso que a psicanálise sempre colocou sobre os ombros da mãe, seja pela desconsideração do potencial para o crescimento, que nos é inato e também desenvolvido a partir de frustrações, seja pelas questões ideológicas que alimentam o imaginário de pais, mães e filhos. Assim, fica evidente a importância da atenção psicológica no campo da parentalidade, no sentido de acompanhar o casal e contribuir para a construção do seu próprio modo de cuidar, oferecendo holding frente às limitações impostas pela doença.
Na fronteira da psicanálise: a dimensão intersubjetiva do cuidado ao bebê no contexto de internações prolongadas e condições crônicas de saúde Natália Vodopives Pfeil Gomes Pereira Creuza da Silva Azevedo Os cuidados iniciais ao bebê com alguma condição crônica de saúde compõe uma cena de cuidados complexa. Muitas vezes, pela dependência tecnológica e por questões clínicas que exigem a internação hospitalar, o desenrolar dos primeiros meses, ou até anos de vida do paciente ocorre no cenário hospitalar. O presente estudo teve como objetivo compreender a dimensão intersubjetiva do cuidado ao bebê no contexto de internações prolongadas e adoecimento crônico. Trata-se de um estudo clínico-qualitativo realizado em uma unidade pediátrica de cuidados semi-intensivos de um hospital público materno-infantil no Rio de Janeiro. As técnicas de pesquisa adotadas foram observação participante e entrevistas tendo sido realizadas entre junho e outubro de 2015. Os bebês observados tinham entre quatro meses e dois anos de idade com pelo menos quatros meses de tempo de internação. Foram entrevistados 15 profissionais (dentre eles, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem). A análise das entrevistas foi realizada a partir das contribuições da abordagem clínica psicossociológica e da psicanálise. A pesquisa sobre o cuidado ao bebê internado se realizou no limite entre as diversas contradições que atravessam as práticas em saúde. Dentre elas, identificamos: as ideias de excelência que marcam as práticas biomédicas da instituição e o confronto com a finitude e a impotência em curar; a imagem da criança que traz esperança e a criança doente e malformada; a coexistência da imagem do bebê como sujeito e como objeto; excessos de zelo e investimento afetivo e as crises de sentido em relação ao trabalho. Tais contradições, expressão última do paradoxo que atravessa a experiência humana, os conflitos, as tensões, que se revelam nas práticas de cuidado, expressam a condição humana dos profissionais, que não são máquinas, portanto, também tem os seus limites e cometem falhas, se confrontando em sua prática com a sua condição frágil e existencial. Concluiu-se que o cuidado em questão, implica não só um conhecimento técnico, mas também uma exigência de trabalho psíquico atender às demandas emocionais dos bebês e suas famílias.
O AFETO QUE CIRCULA Peçanha A. Rocha G.
Quitete B.
Negões C.
O afeto que circula

A roda de conversa enquanto potência e instrumento de trabalho é um espaço de formação, de troca de experiências, de opiniões. No contexto desta ciranda, o diálogo é um momento singular de partilha, uma vez que pressupõe um exercício de escuta e fala.
As rodas de conversas possibilitam encontros dialógicos, criando possibilidades de produção e ressignificação de saberes. Sua escolha se baseia na horizontalização das relações de poder.
Deixar-se afetar é algo legitimado pela Unidade de Acolhimento Ana Carolina que busca através da formação teórico-metodológica meios para qualificar as ações de toda equipe para que possam estar mobilizados em favor da criança, sem vitimá-las, mas dando   " espaço" para que se desenvolva física e emocionalmente.
Toda a rotina da unidade prioriza aproximar a equipe técnica e Direção junto as crianças e os educadores, através de ações interdisciplinares de cuidado/ desenvolvimento das crianças e de capacitação/suporte aos educadores.
Como estratégia de aproximação e de formação continuada implementamos Rodas de Conversa por plantão. Os encontros são mensais e se constituem como espaço de formação, avaliação e principalmente de acolhimento da equipe.
Esse é um espaço de reflexão entre equipe técnica, funcionários e Direção, onde são abordadas e refletidas questões do cotidiano do cuidado, num processo de alinhamento dos métodos de trabalho. A formação de um grupo de estudos em parceria com a Vara da Infância, facilitou e impulsionou a introdução do tema da Abordagem Pikler nas rodas de conversa da unidade. A partir dos três princípios da abordagem Pikler: 1) O valor da atividade autônoma, 2) A relação afetiva privilegiada e 3) A necessidade de oportunizar às crianças a consciência de si e do seu ambiente, iniciamos um processo de renovação do CUIDAR, respeitando o tempo de maturação e possibilidades de cada agente envolvido.
   Essa estratégia trouxe um envolvimento maior dos funcionários em relação a qualificação do cuidado, a participação no planejamento da rotina, além do fortalecimento da autonomia da equipe.
O BRINCAR E A ESCUTA:  PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DE SAÚDE COM BEBÊS E SUAS FAMÍLIAS Pryngler T Bara O, Lemos C, Herzog E, Zarenczansky R, Reis I, Andreucci J O Espaço Bebê do clube A Hebraica propõe um ambiente de escuta e apoio para as vivências intensas e ambivalentes que a presença de um bebê traz. É também um lugar que promove a convivência em comunidade, a brincadeira, a exploração livre e as oficinas dirigidas. Este ambiente pode ser vivido como um espaço entre a casa e a escola.  É neste entre que o trabalho acontece, no brincar e na escuta, através  do lúdico e do olhar clínico, na relação da equipe de psicólogos com as famílias . Dessa forma, estabelece-se um espaço físico e ao mesmo tempo simbólico, de transição, de transposição, entre a criança, a família e o mundo. 
É neste setting lúdico, a partir da presença dos profissionais e das famílias, que se precipitam afetos e conteúdos que podem ser nomeados e elaborados. O trabalho se dá no interstício, que vai desde acontecimentos inesperados, que por vezes dizem das dinâmicas existentes entre os membros de uma família; até histórias que precisam ser recontadas, possibilitando ressignificação.
O bebê e seu cuidador primordial, dentro do Espaço, podem se preparar para a possibilidade de se afastar e retornar, a partir dos deslocamentos do bebê e das pequenas ausências da mãe. Neste ensaio de autonomia, para os dois, vão entrando as brincadeiras, músicas, histórias, e as outras pessoas.
A ideia deste texto é, portanto, falar sobre a experiência de trabalho do Espaço Bebê da Hebraica e sua relação com a prevenção e promoção da saúde dos bebês e suas famílias, que chegam em diferentes momentos, do pós-parto aos 3 anos da criança, a partir da escuta, acolhimento e intervenções da equipe.
O desafio à cristalização autística. Maria Prisce Cleto Teles Chaves O desafio à cristalização autística.
                                               Maria Prisce Cleto Teles Chaves

“O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo.”
Manoel de Barros

Noam chega a analista por indicação da escola com 20 meses de idade, sem olhar, sem falar, sem sorrir, sem demandar. Só suga de forma avassaladora o peito de sua mãe que relata a analista que na gravidez teve uma diabetes e que desde esse momento já imaginava que seu filho teria problemas.
Sabemos que longe está o tempo em que era imputada a mãe todos os desvios da constituição psíquica de uma criança. Hoje podemos afirmar que a genética e a epigenética, representada pelo Campo do Outro, formam a base da constituição humana e suas singularidades. Sabemos também que por efeitos deste Outro, que apesar de ter na função materna sua grande representação, não está limitado a ela, mas a um campo maior, as determinações genéticas podem sofrer alterações em seu percurso. Neste caminho, nós psicanalistas lacanianos que se dedicam ao trabalho das Intervenções Precoces nos primeiríssimos tempos da constituição psíquica defendemos o trabalho com os ínfans e, sobretudo garantimos que a psicanálise tem muito a contribuir evitando a medicalização excessiva e os diagnósticos seladores de destino.
Este trabalho tem por finalidade questionar o falso discurso psiquiátrico sobre a ineficácia da psicanálise em tratamentos de crianças com transtornos no desenvolvimento e apresentar fundamentações que demonstram sua grandiosa contribuição.
O gesto infantil na sociedade excitada Fernanda da Rocha Marques Nunes “O gesto infantil na sociedade excitada”
Nesse trabalho pretendemos apresentar a ideia de gesto infantil em Walter Benjamin, acreditando ser ela uma importante ferramenta crítica para a reflexão da experiência infantil na atualidade. Sabendo que o filósofo não se deixa contaminar por uma visão nostálgica ou derrotista em relação à experiência na modernidade, pretendemos destacar o que há no comportamento infantil que possa contribuir para a construção de uma experiência mais legítima e criativa na sociedade atual.
Observamos na atual cultura uma unilateralidade no que é ofertado aos bebês e às crianças, que são permanentemente submetidos a estímulos receptivos, fomentando a sua passividade. Há uma oferta de objetos prontos e completos, acompanhados de excessiva informação e estímulos. E a criança, diante destes artefatos, cala-se, ou sente-se impotente, havendo um aguçamento de sua condição espectadora. 
Benjamin afirma a existência de uma pulsão narrativa, uma ação que insiste em se expressar, ultrapassando qualquer limite. A brincadeira viva da criança, segundo ele, não se abate com a industrialização dos brinquedos. Para as crianças, as palavras não são signos fixados e convencionais, mas sim sons a serem explorados. Para ele, o gesto infantil se caracterizaria pela correspondência precisa entre inervação receptiva dos músculos ópticos com a inervação criadora da mão. Sua crítica se referia às transformações da experiência na sociedade moderna. Como pensar a expressão do gesto infantil na sociedade atual, pautada na lógica da sensação e da excitação? Como enfrentar a unilateralidade cultural que estimula a passividade? Essa reflexão se faz urgente a qualquer profissional ou adulto que lide diretamente com a infância.
O inconsciente materno: A menina cor –de- rosa em uma UTI Neonatal Cirúrgica Pourchet, Marcia Este trabalho é o testemunho de como o encontro com a teoria psicanalítica pode operar como a descoberta de novas dimensões na área do saber. Este encontro com a psicanálise é particularmente fecundo no que diz respeito às ciências da saúde, portanto, a proposta deste trabalho, é refletir sobre o nascimento de uma mãe e como ela se articula com o dia a dia de uma UTI Neonatal Cirúrgica, "lugar" que acolhe e oferece tratamento médico especializados aos recém-nascidos portadores de anomalias congênitas.
Nossa paciente, logo ao nascer, foi diagnosticada portadora de uma anomalia congênita denominada imperfuração anal. Nos casos mais simples de anomalia anorretal baixa é realizada uma cirurgia de anoplastia. Mas não foi o caso desta paciente. Para Ana Vitória, que apresentava uma anomalia anorretal alta e uma estenose intestinal, foi necessário a colocação de um estoma na região abdominal - denominada de Colostomia.
No nascimento de um bebê com anomalia congênita, a marca da patologia pode alcançar tamanha proporção imaginária que, no tempo inaugural da constituição do sujeito, o bebê é afetado na sua estrutura, identificando-se com essa imagem oferecida pelo Outro. O bebê com malformação não é posto no lugar de "Sua majestade, o bebê" (FREUD, 1914/1996), restando uma falha narcísica que macula os vínculos transferências entre ele e sua mãe. Ocorre que nem sempre o contexto que envolve a chegada de um bebê ao mundo é passível de uma oferta favorável ao seu pleno surgimento como sujeito desejante.
Nesse trabalho, nos foi possível perceber que um dos grandes desafios com que mães e pais têm de lidar é a percepção da distância que separa as duas crianças que coexistem em um só filho: o bebê desejado, produto das fantasias parentais, ou seja, a criança já inscrita em uma história simbólica-imaginária, como toda história, e o bebê de carne e osso, criança real, porém malformada.
Ao refletirmos sobre a função materna, entre a mãe e o seu bebê hospitalizado, em uma UTI Neonatal Cirúrgica, pensando para além do real do corpo, do invólucro com anomalias a serem reconstruídas e costuradas, há uma mãe que precisou elaborar o luto pela filha idealizada e simbolizar a presença da criança que nada correspondia à imagem de sua fantasia. Portanto, quando a filha foi tomada pelo investimento materno que o interpelou como sujeito, a chuva de significantes que caiu sobre ela desnaturalizou seu corpo, transformando-a em um sujeito portador de desejo.
O Objeto Tutor (conceito de Victor Guerra) Inta Muller Nicole Nemetz, Camila Martinez, Bruna Lucas, Eduarda Campos, Jessica Aronis, Julia Jakulski, Julia Pimentel, Jussara Benvenutti, Laura Wolff O OBJETO TUTOR - conceito de Victor Guerra
O autor refere que desde os 4 a 5 meses de idade estaria presente na vida de cada pessoa uma espécie de surpresa ou fascinação pela permanência, pela continuidade dos objetos. O processo de simbolização estaria, desta forma, relacionado a encontrar um continente seguro e permanente para a criança, vinculado aos objetos cotidianos que através das fantasias da vida infantil ofereceriam um suporte fundamental para o seu self.
Os "objetos tutores" envolvem o bebê, cumprindo a mesma função de proteção, continuidade e segurança que provém dos cuidadores. Através do valor especial que lhes é fornecido perduram ao longo de uma vida e nos falam de como é a pessoa, de sua história e sentimentos. Fazem parte da "apresentação do espaço" que a mãe oferece ao seu bebê, libidinizando objetos fora de si mesma e começando a criar um espaço entre ela e seu filho. O bebê se entretém com estes objetos, brinquedos e o ambiente onde se encontram, onde os mesmos sustentam a continuidade do bebê com sua mãe quando esta se encontra ausente.
São igualmente objetos que compartilham estados afetivos com o outro, participando de suas intenções e desejos. São anteriores e diferentes dos objetos transicionais, uma vez que são variáveis e não escolhidos pelo bebê, mas sim, "co-construídos" com a mãe.
O grupo se propõe a apresentar este conceito dos "objetos tutores" com vinhetas clínicas e literárias a fim de ressaltar a importância deste conceito na Psicanálise, não somente vincular, entre mãe e bebê, mas em todas as faixas etárias. Relacionando o conceito em termos de paternalidade e transgeracionalidade.
O Risco Débil Batista, Cristina A. M. O trabalho aborda o tema da debilidade e das vicissitudes da constituição subjetiva que podem levar a essa condição humana. Considerando esta posição teórica poderia se pensar em um risco para o sujeito desenvolver a debilidade. Na clínica com bebês prematuros existem vários estudos que apontam que a prematuridade pode levar a desenvolver a deficiência intelectual, levando em consideração uma questão orgânica e um déficit de ordem cognitivo. Mas apostamos que pode também haver uma questão psíquica e constitutiva do sujeito nesta clínica. A patologização pode acontecer pelo prognóstico e mesmo pelo silêncio causado pelo real da experiência traumática. Propomos o estudo vinculado a prática e a clínica do CAIS no atendimento de bebês prematuros.
O ritmo, a musicalidade comunicativa e a lei materna na artesania da subjetivação humana (Victor Guerra) Victor Guerra Inta Muller Este video foi apresentado na Jornada do CEAPIA- 2017,  na Homenagem póstuma a Victor Guerra, de acordo com o seu ultimo trabalho (citado acima) e publicado na Revista do CEAPIA.
Victor Guerra gentilmente enviou seu filme das Protoconversações (dentro dos Indicadores de Intersubjetividade) para que eu pudesse editá-lo, referindo-me ao texto acima citado.
Este video também foi enviado a Claudia Ravera a fim de que compartilhasse conosco este momento, uma vez que o autor faleceu dois dias antes de poder assisti-lo.
Trata-se, então, de um video curto que condensa a maior parte de toda a teoria criada pelo autor.
OFICINA DE MOVIMENTO LÚDICO – UM ESTUDO DE CASO Soares SM   Esse trabalho traz uma reflexão sobre a oficina para bebês, que acontece no espaço “Ateliê Arte Educação e Movimento”, na cidade de São Paulo. A proposta se inspira no trabalho desenvolvido na Fundação Lóczy de Budapeste, que pude observar em 2013.
Realizadas desde agosto de 2016, em parceria com a psicóloga Carmen Moraes, as oficinas de Movimento Lúdico são frequentadas por bebês acompanhados de um adulto responsável. Em geral são as mães que frequentam este espaço, mas eventualmente recebemos pais e babás.
Existem grupos com bebês de 3 meses até a fase de engatinhar e com bebês que andam. O trabalho é realizado em parceria com a psicóloga Carmen Moraes, especializada no atendimento de grávidas e mães no puerpério, que eventualmente ajuda as mães a lidar melhor com as questões inerentes desta fase e a se sentirem seguras das capacidades inatas de seus bebês.
Em ambiente organizado e seguro, com brinquedos apropriados a cada fase do desenvolvimento, os bebês desfrutam de suas descobertas e conquistas motoras por iniciativas próprias, enquanto os adultos observam suas competências no momento presente.
Os bebês que frequentam essa turma são quase da mesma idade e isso acaba provocando comparação entre as fases motoras de cada bebê. Sempre comentamos com as mães e outros acompanhantes sobre a singularidade dos bebês em suas conquistas.
O estudo de caso em questão foca desenvolvimento da Beatriz, filha da Juliana. Ela demorou um pouco mais para sentar e acabou causando bastante ansiedade em sua mãe. Quando ela completou oito meses, Juliana começou a ser muito pressionada por parentes que acreditavam na necessidade de estimulação direta. Vamos analisar o desenvolvimento psicomotor de Beatriz e o manejo seguido por nós e aceito pela Juliana para ajudar a sua filha a se desenvolver em seu próprio ritmo.
OS (DES)ENCONTROS DIANTE DE UMA FACE INEXPRESSIVA Silva KCB   Esse trabalho objetiva discutir os limites e as possibilidades da construção do corpo erógeno nos casos em que aspectos orgânicos constitucionais do bebê dificultam a interação, a partir de algumas vinhetas. Com o diagnóstico de Síndrome de Moebius, Mário tem 13 meses e é atendido por uma estagiária de Fonoaudiologia no Ambulatório de Motricidade Orofacial de uma universidade pública do interior do Estado de São Paulo. Recém-inserida nesse ambulatório como supervisora de estágio, na área de Psicologia, eu tenho acompanhado algumas sessões. A Síndrome de Moebius é caracterizada pelo comprometimento dos VI e VII pares cranianos e consequente paralisia dos músculos inervados por estes pares, o que acarreta na ausência de modificação da expressão facial, sinal denominado de face inexpressiva. Antes de conhecer Mário e sua mãe, eu percebia, durante as supervisões, a angústia da estagiária. A paralisia responsável pela falta de expressão facial de Mário parecia se estender aos atendimentos. Interessada em conhecer o paciente, escutar a mãe e auxiliar a estagiária, comecei a participar de algumas sessões. Desde o primeiro encontro, percebo a diferença entre a postura da mãe e da estagiária. Enquanto a primeira interage frequentemente com Mário, demonstrando que consegue diferenciar os estados emocionais e também atribuir significado aos balbucios realizados pelo bebê, a estagiária se mantém atrás dele ao realizar as manobras. Mário se mostra incomodado, se agita e chora. Nesses momentos a mãe intervém e conversa com o filho, explicando a importância do trabalho da estagiária. Mário se acalma. Eu pergunto à mãe com quem eles moram e ela, muito entusiasmada, me mostra no celular alguns vídeos caseiros, em que Mário, o irmão mais velho e o pai brincam com uma bexiga. Brincadeiras prazerosas que extrapolam a pura satisfação das necessidades. É notório o prazer de Mário nos vídeos. Produz muitos balbucios e direciona a cabeça em direção ao irmão e ao pai. Ao discutir o caso com a estagiária, esta percebe a importância de se manter na frente do bebê e conversar com ele, utilizando a prosódia específica do manhês. As manobras realizadas por ela somente poderiam surtir efeito se fossem acompanhadas de sensações prazerosas. O corpo da motricidade orofacial é o da biologia, mas o corpo afetado pelo toque é outro: um corpo erógeno que emerge do corpo biológico. E não há psiquismo que se constitua fora da relação entre um corpo erotizado e que erotiza outro.
OS BEBÊS EM TEMPOS DE TECNOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE Almeida, L.S.D.N Pinto, P. S.
Santos, T. L.
Atualmente, a criança está se desenvolvendo em um contexto tecnológico, um mundo digital.  Sendo assim, em uma idade muito precoce do seu desenvolvimento, a criança entra em contato com tablets, celulares, videogames e isso, faz parte da cultura infantil. Inicialmente, num brincar primitivo entre mãe-bebê, a primeira irá nomeando emoções, sensações, partes do corpo e assim, o bebê começa a criar a noção de si mesmo e do mundo o cerca. Este trabalho visa analisar como o uso dos aparelhos eletrônicos está intermediando a relação mãe-bebê e investigar a função do profissional de Psicologia na área da saúde diante do uso excessivo da tecnologia por bebês em uma Unidade de Saúde. Será realizado um relato de experiência, enquanto estagiárias de Psicologia em um Programa de Estimulação precoce, em uma Unidade de Saúde. Esta pesquisa se constituirá a partir da metodologia clínico-qualitativa (TURATO, 2013). Neste trabalho far-se-á uso dos conceitos da dinâmica inconsciente do sujeito, tanto para a construção e aplicação do instrumento IRDI (KUPFER, 2008). Os pais, ao procurarem atendimento em um Programa de Estimulação Precoce, comparecem ao consultório de Psicologia com inúmeros questionamentos e angústias referentes ao desenvolvimento do seu bebê. Nos atendimentos, é primordial que o profissional possibilite o desenvolvimento da criança em todo o seu potencial para que possa constituir-se enquanto sujeito psíquico. E, é neste momento que surgem as demandas relacionadas ao uso precoce dos aparelhos eletrônicos. A relação mãe-bebê, muitas vezes é permeada com o uso dos aparelhos, seja para que ela consiga realizar as atividades rotineiras, seja para que a criança fique calada em “ambientes de adultos”. Ao tomarmos a importância da relação mãe-bebê para que o sujeito entre no mundo da linguagem, o instrumento do IRDI (Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil), nos possibilitou observar como o fenômeno da tecnologia permeia a estruturação do sujeito e sua posição na relação com o Outro. Conclui-se que a relação de cada bebê com a tecnologia irá depender das particularidades familiares, culturais e históricas a qual ele está inserido. Logo, cabe ao psicólogo e também aos demais profissionais da área da saúde observar os riscos do uso excessivo de aparelhos eletrônicos por bebês e, encontrar de uma forma conjunta com a família modos de mediar essa tecnologia, tornando-a um auxiliador no desenvolvimento humano.
Os instrumentos IPVM e the SWYC como base para investigação com mães de bebês de 0 a 3 anos. Rolim, LR Amaral JJF, Leite AM O presente artigo tem como foco o desenvolvimento infantil de crianças de zero a três anos e a percepção vincular materna. E o seu objetivo é averiguar a consistência bibliográfica do inventário de percepção vincular materna (IPVM) e do The Survey of Wellbeing of Young Children ( the SWYC), os quais serão utilizados em uma pesquisa desenvolvida no mestrado profissional da Universidade Federal do Ceará, com as mães de bebês de 0 a 3 anos, no Instituto da Primeira Infância (IPREDE). Trata-se de um estudo bibliográfico, que teve como base teórica a psicanálise e a literatura sobre os dois instrumentos indicados. Constatou-se que esses instrumentos de investigação são bastante necessários nas pesquisas que envolvem a saúde pública por serem úteis para identificação precoce de riscos na saúde integral da criança. E, na investigação maior com as mães, servirá para identificar e fortalecer os vínculos familiares dos cuidados integrais das crianças de 0 a 3. Concluiu-se que o  the SWYC e do IPVM são instrumentos uteis na atenção primária por serem de fácil acesso, viáveis, de baixo custo e fácil aplicação. Além de possuírem eficácia técnica, precisão diagnóstica e poderem ser utilizados em larga escala.

Palavras-chave: Desenvolvimento infantil, Interações mãe-filho, Apego, triagem.
PARADIGMAS DE GESTÃO PARA AS DESORDENS/DIFERENÇAS DO DESENVOLVIMENTO DO SEXO (DDS) – BEBÊS INTERSEXO Telles-Silveira M Knobloch F, Kater CE Até 2005, questões relativas ao tratamento médico e às informações acerca dos diagnósticos de Desordens/Diferenças do Desenvolvimento do Sexo (DDS) não eram discutidas abertamente com os pacientes e seus familiares, mas o modo de tratar esses pacientes vem se modificando ao longo da história. As transformações no campo das intervenções clínico-psicoterapêuticas-cirúrgicas nas DDS determinam não só diferentes orientações médicas, mas também, o lugar da família e do paciente nos processos decisórios do tratamento. Podemos considerar dois momentos paradigmáticos que influenciam e transformam os modos de gestão da clínica destes pacientes: a) A “era Money” (1955), que enfatizava o ambiente como determinante da identidade sexual e o papel das gônadas como determinante para o diagnóstico e, b) O Consenso de Chicago (2005), que reafirma o papel da genética e da biologia molecular na detecção precoce do diagnóstico, bem como na construção da identidade sexual, dando ênfase às questões éticas e da cultura de estigmas. Aliado a esse Consenso, novas informações vêm enfatizando a importância da interdisciplinaridade e das questões abordadas nos Direitos Humanos como fator central na decisão do tratamento. Apesar de cada um destes modelos de gestão determinar modos e orientações específicos do manejo clínico de tais pacientes, no cotidiano da clínica o que verificamos é uma justaposição desses modelos. Esse trabalho pretende explorar e discutir os diferentes paradigmas, apontando as diferenças clínicas e seus desdobramentos no manejo dos pacientes DDS/INTERSEXO e suas famílias.
PARENTALIDADE CONTEMPORÂNEA: ALTERIDADE NO CASAL E COEXISTÊNCIA ENTRE O TRADICIONAL E O NOVO Campana NTCC Gomes IC A literatura e a experiência clínica constatam as mudanças que a família sofreu ao longo das últimas décadas - sendo inclusive pertinente falar em famílias no plural, pois esta não é mais uma configuração singular. As transformações ocorrem tanto na configuração familiar, quanto na maneira de os membros se relacionarem. Desta forma, mesmo o casal heterossexual com filhos não necessariamente corresponde ao que nomeamos na modernidade de família tradicional. Como fatores que influenciaram diretamente neste processo de mudança destacamos a pílula anticoncepcional, o feminismo que impulsionou a mulher também desejar ter uma carreira e a participação masculina nas tarefas domésticas. O presente trabalho é parte de uma pesquisa de doutorado em andamento e tem o objetivo de compreender como a parentalidade tem se constituído em casais heterossexuais, cujos cônjuges têm entre 30 e 40 anos de idade, pertencentes a classe média alta e têm filhos de até três anos. Para isso, oito casais foram entrevistados, assim como os pediatras e os coordenadores educacionais responsáveis pelos filhos dos participantes, com o intuito de analisar qual a função que estes profissionais têm ocupado na vida dos bebês e de seus pais. Os resultados foram analisados através das seguintes categorias: 1) Possibilidades de exercer a maternidade e a paternidade; 2) Participação profissional nos cuidados com o bebê; e 3) O que se oferece ao bebê. Conclui-se que longe de aglutinar a maternidade e a paternidade, tornando-as indiscriminadas pelo termo parentalidade, estas funções guardam variações que cada vez mais devem ser analisadas pela alteridade de cada um deslocando-se, portanto, da diferença de sexo/gênero. A participação dos profissionais na vida dos bebês tem se dado em parceria com os pais, se constituindo como representantes do social que oferecem suporte e confiança ao casal, assim como contribuem para o desenvolvimento global da criança. É possível identificar a influencia do discurso tradicional nos casais entrevistados, porém mais do que pensar que estamos em uma fase de transição, entendemos que na atualidade abre-se a possibilidade de coexistência do tradicional com o novo, mesmo que com certa dose de ambivalência.

Observação: sugerimos que caso este trabalho seja aceito pela comissão, que possa compor a mesa junto as colegas Danielly Passos e Carine dos Santos, já que fazemos parte do mesmo grupo de pesquisa do IP-USP.
PARENTALIDADE E NARCISISMO: LUTOS (IM)POSSÍVEIS DIANTE DA ANOMALIA NO BEBÊ Schechter LMS Zornig SMA O presente trabalho tem como objetivo discutir as possíveis implicações de um diagnóstico de anomalia no bebê sobre o narcisismo parental, com destaque para as repercussões sobre o narcisismo materno. Partindo da ideia de que os pais investem narcisicamente em seu bebê ao projetarem sobre ele expectativas de continuidade e reparação de seu próprio narcisismo, discutimos como a confrontação com uma anomalia infantil coloca em questão a constituição do investimento parental sobre a criança. Buscamos ainda indicar como a angústia desencadeada por tal condição exige um intenso trabalho psíquico por parte dos pais, podendo atualizar experiências de ordem traumática da história parental. A partir das contribuições de diversos autores da psicanálise, o choque do diagnóstico é analisado em seus efeitos de fratura do ideal que o bebê deveria encarnar para os pais e de ruptura nos laços de filiação, pela dificuldade de inscrever a criança na cadeia geracional. Seguindo as indagações de Simone Korff-Sausse, questionamos os limites possíveis ao trabalho de luto da criança idealizada em prol da criança real com deficiência, comumente exigido desses pais. Finalmente, trazemos as contribuições de Alberto Ciccone sobre as fantasias de transmissão para pensar um modo possível de sutura da ruptura imposta pela filiação traumática. Fragmentos da clínica e da literatura são trazidos ao longo do trabalho para ilustrar as questões abordadas.
Parentalidade na Primeira Infânica: a Importânica de Redes de Apoio Zarenczansky R   O presente trabalho inspira-se no Espaço Bebê do clube A Hebraica e propõe-se a discutir a importância de espaços especialmente planejados para a primeira infância, no que se refere ao encontro que eles proporcionam entre pais e cuidadores, que podem, neste contexto, formar uma rede de apoio, acolhimento e cuidado para essa fase tão estruturante. Desse modo, aposta-se na presença dos cuidadores nesse ambiente preparado para bebês, pensando no desenvolvimento destes e em sua forma de explorar e brincar. Nessa configuração, a presença da dupla bebê e cuidador é vista como essencial, pois tem bastante relevância na forma como o bebê vive essa experiência sem ter que passar por uma separação, além de tornar possível investir e intervir diretamente no vínculo estabelecido entre bebê e cuidador.
Vê-se como necessários espaços com essa configuração, devido ao desamparo e à insegurança que envolvem a parentalidade atualmente. Perdeu-se, ao longo das últimas gerações, muito do aspecto transgeracional deste momento, ao mesmo tempo em que se valorizou a profissionalização de funções atribuídas anteriormente aos pais. Assim, é possível perceber uma sensação de despreparo, devido à falta de contato e de conhecimento do universo da maternidade e da paternidade, acompanhado de um sentimento de impotência e desamparo.
Além do encontro entre cuidadores, outro aspecto apresenta grande valia: a presença de uma equipe capacitada, formada por psicólogos, com possibilidade de escuta e acolhimento dessas famílias e diferentes formas de intervenções nesse setting singular. Essa delicada escuta se dá em um ambiente lúdico, distinto do cenário clínico formal, de modo que é permeada pelo brincar e pela exploração livre do bebê. Assim, as angústias das famílias vão sendo trabalhadas e acolhidas, sem a necessidade da formulação de uma demanda clínica explícita, por meio da vinculação com essa equipe.
Parentalidade: uma questão de Direitos Humanos. Leite, C. R. C.   Pretendo com este painel fundamentar a parentalidade na perspectiva dos Direitos Humanos, ou seja, ter na convivência familiar e comunitária uma premissa universal de dignidade, liberdade e desenvolvimento humano em sua plenitude.
O ambiente digno e as relações sociais de confiança são essenciais para o desenvolvimento humano, sobretudo na primeira infância. Estas dimensões ultrapassam o âmbito individual ao se tornarem asseguradas por convenções internacionais, incorporando a vida em família na agenda de direitos.
A própria inclusão da criança como categoria a ser protegida tardou em relação a outras minorias políticas no cenário nacional e internacional, fato importante para entendermos a atual manutenção cotidiana de práticas de violência sistemáticas contra a infância. Em contrapartida, é nesta fase da vida que se determina a competência e os comportamentos básicos dos indivíduos no enfrentamento e na contribuição à sociedade, portanto ferir direitos na infância acarreta uma socialização enfraquecida em relação a cidadania e humanidade.
O desenvolvimento tem estreita ligação com a comunidade, ou seja, com os outros. O bebê para nascer e crescer com saúde necessita da interação com seu grupo social, fator vital para a sua constituição. São as relações sociais antecessoras ao nascimento do bebê que oferecem a matéria prima do berço que o receberá. Anterior ao parto, o desenvolvimento do feto acompanha a constituição simbólica deste novo membro da comunidade, logo, o nascimento e os primeiros meses de vida de alguém são a continuidade de uma trajetória pregressa.
Utilizarei referencias teóricos como Carlos Gonzáles, Donald Winnicott e Hannah Arendt a fim de problematizar o desenvolvimento da criança em condições sociais críticas como a fragmentação familiar em razão do encarceramento do maior responsável, majoritariamente, as mães, estas que compõe a população carcerária em maior crescimento no Brasil.
A Neurologia, a Puericultura e a Educação tem alertado a sociedade internacional sobre a importância no investimento de melhores condições para o desenvolvimento da primeira infância como ações preventivas a fim de estabelecer uma sociedade saudável. Buscarei refletir sobre práticas que ofereçam o acompanhamento qualificado necessário para as crianças que tem seus cuidadores em cumprimento de sentença criminal.
Parentalidades e Gênero: a transmissão psíquica e a imagem inconsciente do corpo Carrijo C.   O objetivo desse trabalho é pensar a influência da transmissão psíquica transgeracional na construção da imagem inconsciente do corpo de um menino com questões referentes ao gênero a partir de fragmentos de sua história clínica e, mais especificamente, a partir das entrevistas clínicas com a mãe sobre a gestação. Investiga-se a possibilidade do desejo materno transmitido pelo banho de linguagem, as fantasias e os não-ditos da genealogia incidirem na formação da imagem de base fetal. A bissexualidade psíquica é constitutiva dos sujeitos e a plasticidade da sexualidade humana é contrária à universalização de uma normatividade, nesse contexto, a discussão sobre a identidade de gênero precisa considerar os processos de transmissão na constituição da imagem do corpo.
Processo de parentalização na gravidez de alto risco fetal: A perspectiva dos pais e dos profissionais de saúde Costa DT Moura MM
Souza KM
Parentalização é um processo psicológico e afetivo que a mulher e o homem vivenciam para tornarem-se pais. Quando no decorrer do período gravídico os pais são surpreendidos por uma suspeita ou a certeza de um bebê doente, se instala uma tensão capaz de abalar emocionalmente todos envolvidos com o nascimento da criança. A tecnologia auxilia através de exames de Medicina Fetal a conclusão dos diagnósticos, contudo as questões subjetivas consequentes dessa problemática são pouco exploradas no sentido de assegurar aos casais a continuidade do processo de parentalização.  O foco desse estudo é analisar, na perspectiva dos pais e dos profissionais de saúde, o processo de parentalização vivido pelos casais atendidos no ambulatório de Medicina Fetal de uma maternidade Pública. Trata-se de estudo qualitativo, em que foram entrevistados casais e profissionais de saúde. Os dados foram analisados com a técnica análise de discurso.  Os resultados apontaram que a percepção sobre o vínculo pais- bebê difere entre os pais e os profissionais de saúde; enquanto para os profissionais o fortalecimento do vínculo está associado à maturidade do casal, para os pais esse não se apresenta como um critério fundamental.  Sobre as representações psíquicas os casais elaboram com riqueza mecanismos de defesas e recursos para enfretamento da situação, para o fortalecimento dos vínculos, enquanto que os profissionais não participam intimamente desse processo, favorecido pela fragmentação do cuidado. Um ponto de concordância entre os profissionais e casais refere-se às questões do atendimento no Sistema Único de Saúde.  Informação, acolhimento, espaços de expressão de sentimentos e gerenciamento das vindas ao hospital se apresentam como recursos importantes para o enfrentamento de adversidades na gestação. 
Palavras-chave: Parentalidade; Gestação de alto risco fetal; Profissionais de Saúde; Vínculo.
PROJETO MULTIDISCIPLINAR DE GRUPO COM PAIS E BEBÊS  DE LONGA PERMANÊNCIA HOSPITALAR Mazzafera AHF Prado PR, Silva CSR Introdução
Na primeira infância ocorrem processos importantes para o desenvolvimento infantil, sendo influenciados pelo ambiente e pelas condições nas quais a criança está inserida.
O desenvolvimento do bebê é associado a descoberta do ambiente em que vive, apresentação a ambientes externos e convívio social. Nestes aspectos a internação hospitalar de longa permanência, sobretudo desde o nascimento, atravessa o desenvolvimento infantil.
Durante a hospitalização, a rotina diária da criança é resumida a um leito hospitalar permeada por medicamentos, equipamentos, ações e procedimentos invasivos. Com seus ciclos controlados, envolvendo alimentação em horários determinados, interferência no sono e intervenções constantes.
Dessa forma, é imprescindível pensar em como o desenvolvimento infantil se dá dentro do ambiente hospitalar.
Objetivo
Apresentar o grupo terapêutico multidisciplinar realizado com bebês e acompanhantes, em um hospital pediátrico na cidade de São Paulo.
Método
Foram incluídos bebês hospitalizados desde o nascimento, com idade entre 0 a 3 anos. Foram realizados encontros de 1 hora de duração, 2 vezes por semana, por um período de 6 meses com profissionais da área de fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional. Buscou-se propor um ambiente em que o bebê se sentisse seguro para explorar o meio, objetos e indivíduos, com a mediação de adultos. Foram propostas atividades lúdicas, sensoriais e motoras, de acordo com a capacidade e faixa etária de cada criança. As atividades buscavam estimular o brincar e interação social, envolvendo bebês e cuidadores.
Resultados
A princípio, os bebês apresentaram recusa para explorar objetos, alimentos e pessoas. Também apresentaram atraso do desenvolvimento de fala e linguagem e do desenvolvimento neuropsicomotor.
Baseado nas dificuldades, foram elaboradas quatro categorias para orientar os impactos da intervenção: interação social, interesse exploratório, participação nas atividades e vínculo entre bebê e familiar. Ao longo dos encontros foi possível observar evolução em todas estas categorias.
Conclusão
Ciente da importância que o ambiente exerce no desenvolvimento infantil, o grupo terapêutico multidisciplinar com foco em atividades e experiências cotidianas e saudáveis se faz necessário dentro do ambiente hospitalar, sobretudo com bebês hospitalizados desde o nascimento e de internação prolongada.
PSICOTERAPIA MÃE-BEBÊ EM UTIN: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NO CONTEXTO DA PREMATURIDADE Schaefer, MP Donelli, TMS Este estudo, descritivo e exploratório, visou apresentar uma proposta de intervenção psicoterápica facilitadora da interação inicial mãe-bebê prematuro internado em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), compreendendo sua repercussão na capacidade de mentalização materna e na interação mãe-bebê, a partir de dois momentos distintos: antes e após a intervenção. Constituíram-se como participantes duas duplas mãe-bebê prematuro em UTIN, quando aplicou-se a Ficha de Dados Sociodemográficos e Clínicos, a Entrevista de História de Vida da Mãe, a Filmagem de Interação Livre Mãe-Bebê, a Entrevista de História da Internação e realizou-se o registro das intervenções para obtenção dos dados. Realizou-se uma análise qualitativa dos achados, através de quatro eixos temáticos: (a) o ambiente das intervenções; (b) o período inicial, de observação e interação mãe-bebê; (c) o período final, de comunicação entre mãe e pesquisadora; e (d) percepções maternas sobre a intervenção. Os resultados apontaram que a intervenção gerou mudanças na capacidade de mentalização materna e aumentou sua sensibilidade quanto às necessidades iniciais do bebê, repercutindo positivamente na interação mãe-bebê. Concluiu-se que a intervenção, centrada nas relações iniciais mãe-bebê prematuro, é passível de aplicação em uma UTIN.
Quando a dor é um obstáculo a mais para o encontro da mãe com seu bebê Abreu,MC   Muitos fatores envolvem o encontro da mãe com seu bebê.
Nesse relato o bebê apresenta transtorno alimentar e dor e a mãe é vulnerável pela sua história de vida. Sem o olhar, o sorriso e momentos de prazer entre o bebê e a mãe, associado ao tema autismo, e ao transtorno alimentar, a construção parental estava prejudicada.
Após 18 meses, a dor física no bebê desapareceu e a dor paralisante na mãe foi dissolvida. Ela pode reagir as suas dificuldades com a ajuda das consultas terapêuticas e do suporte paterno.
Quando a pele fala: investigação sobre as fantasias e construção da parentalidade em pais de crianças com dermatite atópica. Castelli, C Souza, A S A presente pesquisa avaliou as fantasias e a construção da parentalidade em pais de crianças com dermatite atópica. Em alguns casos, desde cedo, os bebês denunciam, por meio de sintomas, possíveis entraves emocionais no vínculo com os pais. Esses obstáculos podem se traduzir em distúrbios psicofuncionais, que são considerados manifestações de ordem somática ou do comportamento da criança, sem causa orgânica, associados a um determinismo psicológico e, de modo geral, sinalizam dificuldades na interação pais/bebê. A dermatite atópica é um bom exemplo de doença psicossomática. Referências bibliográficas apontam que a dermatite atópica pode ter início em qualquer idade; contudo, é considerada uma doença característica da infância. Em relação ao surgimento da dermatite atópica, do ponto de vista biológico, estão associados: pele seca, hipersensibilidade, predisposição genética, reatividade vascular alterada entre outros fatores. Na perspectiva dos aspectos psicológicos, autores da psicanálise associam que as crianças que não tiveram as necessidades de estimulação tátil e cutânea devidamente fornecidas podem desenvolver uma tendência a regredir em seu desenvolvimento emocional com o desenvolvimento ou ressurgimento dos sintomas relacionados à pele. Neste contexto, o objetivo do estudo é investigar as fantasias e a construção da parentalidade em pais de crianças com dermatite atópica. Utilizou-se um método de pesquisa qualitativa. A amostra foi composta por três famílias que tinham um bebê com dermatite atópica, com idade de um a vinte e quatro meses. Primeiramente, foi apresentado aos pais o termo de consentimento. Foi feita uma entrevista semiestruturada com os pais e uma observação psicanalítica com a família, finalizando com uma entrevista de devolutiva para os pais, num total de 3 encontros. Como resultado da pesquisa, percebe-se que, para as mães, o projeto consciente de ter um filho não fazia parte dos seus planos ou surgiu depois de um certo tempo. Observamos que todas elas apresentaram dificuldades em acolher os aspectos infantis de seus filhos, sendo que a subjetividade das crianças era pouco valorizada, Assim, conjecturamos que a dermatite atópica pode ser uma forma que os bebês encontraram para comunicar os entraves. Diferente dos projetos das esposas, dois dos participantes apontaram sobre as aspirações de se tornarem pais, fato que colaborou na vinculação com os filhos.
REFLEXÕES ACERCA DA RELAÇÃO DO CUIDADOR COM O BEBÊ E A CRIANÇA PEQUENA EM CONTEXTO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL LEMOS IC SILVA RBF A faixa etária dos bebês e crianças pequenas, de zero aos três anos, é considerada de extrema importância para o desenvolvimento humano, inclusive ao pensarmos sobre o desenvolvimento psíquico e emocional. Assim, considerando as práticas de acolhimento institucional se ressalta o preparo e formação dos cuidadores, aqueles que estarão em contato diariamente com o bebês e crianças pequenas. Dessa forma, compreende-se que a relação que o bebê e a criança pequena estabelecem com os adultos cuidadores é uma relação de destaque. Levando em conta que existem poucas pesquisas enfatizando a faixa etária do zero aos três anos no contexto de abrigo o objetivo da pesquisa foi conhecer a relação dos cuidadores com os bebês e crianças pequenas em situação de acolhimento em uma instituição localizada no interior do Rio Grande do Sul. Como finalidade também se procurou compreender as representações que cuidador tem sobre seu papel frente o cuidado e as suas percepções sobre o seu trabalho com bebês e crianças pequenas. Foram utilizados enquanto metodologia de pesquisa as entrevistas individuais com os cuidadores que trabalham diariamente com bebês e crianças pequenas e observações do cotidiano. A análise dos dados se deu por meio da análise de conteúdo, sendo formuladas quatro categorias de análise. A primeira diz respeito da tentativa de as profissionais construírem uma identidade dentro desse contexto. A segunda categoria aborda as percepções das cuidadoras acerca dos “pré-requisitos” frente o contato com o bebê neste ambiente. A categoria seguinte ressalta as rupturas, idas e vindas, enfatizando a realidade do acolhimento institucional que é perpassada por essas separações. E a última categoria aborda a questão “tempo” trazida de forma enfática pelas entrevistadas e das implicações para os bebês e crianças pequenas. Tem-se enquanto hipótese que o contato com bebês e crianças pequenas em contexto de acolhimento institucional evocam questões primitivas das cuidadoras tornando complexa a compreensão das margens do seu papel. A realidade institucional marcada por inúmeras rupturas pode provocar nas cuidadoras estratégias defensivas frente a relação com o bebê e a criança pequena, onde elas passam a focar a rotina pré-estabelecida e as ações de cuidado físico, o que ressalta a importância de treinamento, formação e escuta em relação a tarefa do cuidar.
Relato de experiência de atendimento em grupo de bebês com suspeita de transtornodo espectro do autismo e suas famílias Pessoa, E Ferraz PA, Boy C, Morinigo I, Benante S, Silva AC, Gonzalez RS O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de atendimento em grupo desenvolvida no CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) do município de Macaé, estado do Rio de Janeiro, com pais e bebês até 3 anos de idade que apresentam perturbações relacionais importantes (a grande maioria com suspeita de transtorno do espectro do autismo).
Faremos um breve resumo do projeto implantado há dois anos na instituição. Discutiremos a constituição dos grupos, o contrato terapêutico; a função da supervisão semanal de orientação psicanalítica e a equipe multidisciplinar; a participação de estagiários de Psicologia e de internos da Medicina. Os desdobramentos deste trabalho na rede de atenção psicossocial: as reuniões com profissionais de deferentes serviços, a realização de dois Fóruns municipais, a organização de um Curso de Extensão na UFRJ-Macaé voltado para pediatras,obstetrase e enfermeiros.
Por fim, relataremos situações clínicas dos atendimentos conjuntos em grupo e discutiremos as modificações no projeto após dois anos dessa experiência.
REMANEJAMENTOS PARENTAIS NO CONTEXTO DE MALFORMAÇÃO DO BEBÊ POR SÍNDROME ZIKA CONGÊNITA Azevedo, CS Freire, IM
 Moura, LNF
Este trabalho é um recorte da pesquisa “Implicações Psicossociais da Síndrome de Zika Congênita (SZC): a experiência de familiares no cuidado a crianças com alterações neurológicas a partir de um dispositivo grupal no Instituto Nacional da Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira” que procura compreender as consequências da SZC para o exercício da parentalidade e do cuidado familiar. Busca-se, através de uma perspectiva de pesquisa-intervenção e de um dispositivo grupal de sala de espera ambulatorial, realizado por meio de 30 encontros no ano de 2017, favorecer a expressão das narrativas familiares e a construção de sentido acerca da experiência de adoecimento e cuidado dos bebês. A partir da psicanálise, compreendemos a experiência traumática parental e as possíveis organizações psíquicas suscitadas pelo encontro dos pais com o bebê com SZC, observadas na análise preliminar do material de campo. A imagem corporal do bebê, por ser diferente demais da idealizada, provoca um contexto de desilusão brutal e leva os pais a um conflito traumático devido à intensa ferida narcísica. Um bebê com microcefalia, por seu comprometimento neurológico e deformidades visíveis, evidencia sua diferença e suscita incertezas futuras quanto ao seu desenvolvimento. O encontro com este bebê provoca uma reorganização na economia psíquica parental, principalmente materna. Esse processo exige tempo e compreende retecer a história identificatória da mãe com seu bebê. O trabalho psíquico materno é árduo e exige um trabalho de luto do bebê imaginado para que se possa investir no bebê real. As saídas possíveis incluem maior ou menor adaptação à realidade e capacidade de criação de novos modos de ser. A partir do material dos grupos identificamos posicionamentos maternos que oscilam entre uma visão do corpo do filho como sinal da falta: de crescimento, de movimento; e um olhar que privilegia os ritmos singulares e desenvolvimentos possíveis. Ao lado de excessos de implicação, dificuldade de separação do bebê e dificuldades afetivas com outros filhos, encontramos situações de abandono associadas a um contexto social de precariedade. Diferentes posições defensivas podem ser organizadas para evitar angústias de perda e culpa, sendo frequente a oscilação entre posições maníacas e melancólicas. Mas também observamos possíveis remanejamentos parentais pela via da saúde, onde há uma adaptação mais criativa diante da adversidade traumática do encontro com o bebê com SZC.
REPENSANDO O SILÊNCIO A PARTIR DA CLÍNICA PSICANALÍTICA COM O BEBÊ SURDO: UMA PERSPECTIVA WINNICOTTIANA ALCÂNTARA, E. A psicanálise de bebês continua sendo um ramo pouco explorado, devido à crença dos profissionais de que, por não falarem, os bebês estão alheios ao contexto afetivo, familiar e social em que são inseridos. A situação é ainda mais delicada quando se trata de bebês que apresentam algum déficit sensorial, sobretudo quando esse déficit compromete as vias canônicas de manifestação da linguagem, como é o caso da surdez, que implica no uso da língua de sinais. Inclusive, o que se tem visto aqui no Brasil são psicanalistas que, ao invés de realizarem atendimentos respeitando a Lei – tanto aquela organizadora do psiquismo (alteridade) como aquela identificada à norma jurídica (lei 10.436) – e as singularidades do sujeito, promovem uma clínica perversa, ao desprezarem a Libras como meio de expressão do inconsciente. Apesar de não ter avançado na análise de bebês surdos, o curioso é que o próprio Freud reconheceu dois pontos cruciais para esse debate: primeiro, que há uma continuidade entre a vida do recém-nascido e o que este se tornará; e, segundo, que a psicanálise deve operar um ato de inclusão do estrangeiro. Foi, então, Winnicott quem assumiu a tarefa de dar conta da psicanálise de bebês e pacientes com déficits sensoriais e cognitivos, a princípio, além de avançar no tratamento de psicóticos. Sendo assim, o objetivo deste trabalho é analisar, à luz das contribuições de Winnicott, o que que justificaria tanta resistência ao atendimento psicanalítico do bebê surdo. Através de uma análise conceitual, chegou-se ao entendimento de que a presença do bebê estimula no psicanalista a regressão a estados primitivos e a comunicação cenestésica, que provocam neste vivências emocionais e sensações físicas intensas, as quais, por sua vez, remetendo ao pré-verbal, lança-o na dimensão do silêncio e da falta de sentido simbólico; período em que o seu ser encontrava-se disperso, não-integrado, de tal sorte que dependia completamente do suporte de um outro humano para lhe dar continência e aplacar a agonia resultante daí. Acredita-se que, no contato com bebês surdos, o mal-estar do psicanalista se agudize, desembocando, retrospectivamente, no desamparo primordial, pois, além de a condição infantil já estar associada à ausência da fala, a Libras é uma fala silenciosa. Supõe-se, portanto, que a resistência ao atendimento de bebês surdos se deva ao fato do possível sofrimento revivido pelo psicanalista, evocado pelo modo silencioso com que o bebê surdo se comunica.
Saúde e risco psíquico no contexto das relações iniciais: reconhecimento e intervenções psicanalíticas em cena Mendes de Almeida, M Maria Cecília Pereira da SIlva
Clínica 0 a 3 da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, SBPSP
Núcleo de Atendimento Pais-Bebês, Setor de Saúde Mental, Depto de Pediatria, UNIFESP
A Clínica 0 a 3 da SBPSP e o Núcleo de Atendimento a Pais e Bebês UNIFESP, são equipes parceiras de trabalho em INTERVENÇÕES (consultas terapêuticas, psicoterapia das relações iniciais, grupos de atendimento a pais-bebês) FORMAÇÃO (trabalho conjunto com diferentes especialidades e níveis de experiência, discussões clínico-teóricas psicanalíticas, grupos de discussão sobre o desenvolvimento infantil ) e PESQUISA (produção científica, eventos transdisciplinares, material filmado aprofundando risco psíquico e transculturalidade).   Nesta Oficina,  pretendemos replicar o modelo de trabalho e transmissão de experiência junto às relações iniciais  por nós utilizado, quanto ao fortalecimento de aspectos de saúde e continência quando algo não vai bem no desenvolvimento emocional do bebê e sua família. Pretendemos mobilizar a discussão entre os profissionais de diferentes disciplinas no campo da saúde para a promoção de um espaço receptivo à emergência de ansiedades e sofrimento psíquico do bebê e seus pais, com reconhecimento de eventuais riscos para o desenvolvimento e favorecimento das potencialidades para retomar ou constituir a trilha vincular. Serão apresentadas vinhetas filmadas de vídeos caseiros e de trabalho clínico para facilitar a discussão e participação ao vivo dos profissionais envolvidos na Oficina, aguçando e legitimando suas competências observacionais empáticas com os aspectos subjetivos presentes, além de possibilitar associações com sua própria experiência prática. Pretendemos com isso ilustrar e embasar a discussão da relevância  de um reconhecimento das competências e vulnerabilidades do vínculo e acompanhamento receptivo favorecido pelo olhar psicanalítico, integrando as ansiedades parentais e o sofrimento do bebê, facilitando-se assim a possibilidade de intervenção oportuna. Poderemos refletir também sobre as ferramentas clínicas utilizadas nas intervenções e suas variadas manifestações e aplicações em diferentes campos de trabalho profissional.
Ser Bebê é Natural PIRES, ACT   Desde 2014 promovemos periodicamente encontros com famílias para brincar com a natureza. Famílias com crianças cada vez mais novas começaram a nos procurar para participar dessas experiências. Em 2016 iniciamos o Ser Bebê é Natural, encontros com famílias de bebês de até 24 meses para brincar com a natureza. Durante um curto trajeto realizado, seguindo o tempo das crianças, famílias atentam-se aos olhares e gestos dos pequenos, encantando-se com cada descoberta, brincando junto e percebendo a natureza através das crianças. Orientando os pais, promovemos experiências que respeitam o desenvolvimento dos bebês e sua relação com a natureza.
Para os bebês é um momento que  os envolve num espaço de infinitas possibilidades e respeita seu tempo desenvolvimento.
Após os encontros, famílias nos relatam mudanças de hábitos simples como aumento do tempo em contato direto e sensível com a natureza, redução do número de brinquedos e deixar a criança guiar o tempo-espaço da experiência.
SER PROFERRORA DE BEBÊS: QUE FUNÇÃO É ESTA? Cleide Vitor Mussini Batista Este trabalho tem como objetivo refletir acerca da função da professora dos bebês em creches e os efeitos desta na constituição subjetiva deste sujeito que a de vir. Uma instituição pode desempenhar a função materna/paterna necessária a um bebê em sua constituição como ser humano  -  e, frequentemente, desempenha  -  contanto que não esteja atenta apenas ao que é da ordem da necessidade (fome, sede). Pois maternar um bebê não se limita, em momento algum, apenas aos cuidados de alimentação e de higiene. Maternar um bebê é também dirigir-lhe palavras. É, aqui, pois que se instauram nossos problemas: O que é ser uma professora de bebês? O que uma professora de berçário precisa saber para que seu trabalho ajude a criança a se estruturar subjetivamente? Estas reflexões são oriundas de um projeto de pesquisa “Entre Fraldas, mamadeiras, risos e choros: verificação de fenômenos cotidianos presentes nas creches” e da análise de intervenções de cuidadoras junto aos bebês por meio de ações e momentos propiciados por elas a estes na rotina diária e no brincar. Podemos, então, dizer que depois de uma carência precoce, uma instituição pode estar perpetuando a mesma carência apesar da qualidade e quantidade de comida e de cuidados que dispensa, em consequência do anonimato no qual as crianças são deixadas. A função de sustentação de um bebê ou criança pequena supõe sempre uma atenção particular, única, constante, que leva em consideração o sujeito, mesmo quando se trata de um trabalho de equipe. Entendemos que no exercício de seu trabalho junto à criança a cuidadora de creche amplia e suplementa as funções parentais, na medida em que colabora na expansão do laço social e na inserção da criança nos valores da cultura.
E, ainda, afirmamos que, a professora cumpre uma função constituinte para a criança que vai muito além da ação pedagógica, ou seja, como as professoras são figuras extremamente importantes que compõe a constelação que cumpre a função materna e que é decisiva para o sujeito acontecer. Por fim, esperamos que as reflexões presentes neste trabalho possam fomentar a discussão acerca o papel do professor de bebês e sua função na constituição subjetiva dos bebês. Parafraseando Winnicott, diríamos: este seria talvez o papel mais importante da creche e escola de pequenos. Se ao menos estes espaços ou as professoras soubessem disso...

Palavras-chave: Bebês. Professora. Função. Constituição. Creche.
Ser uma mãe perfeita: exigência materna ou exigência social? Guimarães Vaz C Por mais de 2 anos realizei uma observação mãe-bebê, pelo método Esther Bick. Foram 66 observações em que a mãe esteve sempre presente agindo de forma paciente, carinhosa e ativa. Pude vivenciar diferentes momentos, dentre eles, alguns mais aflitivos, principalmente no início da vida da bebê, o que denotava a fragilidade do recém nascido. Outros mais tranquilos, dos quais, frequentemente tive a sensação que a mãe queria me mostrar o seu melhor e o melhor de sua filha. Parecia guardar momentos especiais para que eu testemunhasse aquela relação que se constituía de forma tão bela.
Na tentativa de ser a melhor, buscou referências externas e aplicou-as com certa rigidez, como se buscasse dominar uma situação desconhecida através de informações. 
Flagrei-me, algumas vezes, idealizando essa mãe e consequentemente também decepcionei-me. Será que eu e a mãe repetíamos as exigências da nossa sociedade atual de ser uma mãe perfeita? Seria um receio de falhar, de não ser uma boa mãe? E seus recursos internos, por que pareciam tão distantes? Penso que estas questões fazem parte da nossa sociedade atual e rondam algumas mães que assumem o novo papel materno numa idade mais madura.
Este trabalho tem a intenção de provocar estas reflexões, através de uma narrativa, mais poética do que científica, da observação em que eu pude testemunhar o estabelecimento e o nascimento da relação dupla mãe-bebê, seguida pela separação de dois sujeitos, e as repercussões que estas vivências causaram em mim.
SERÁ QUE MEU FILHO É AUTISTA? Folino CSG Feliciano, DS O presente trabalho relata o caso de uma criança de 13 meses encaminhada pelo pediatra para Consultas Terapêuticas Pais-Bebê-Criança Pequena a pedido da mãe que alegava que o filho apresentava vários dos sinais de risco para autismo, entre eles: ausência de contato visual com a mãe, não respondia ao chamado de seu nome, não interagia buscando expressar suas vontades.
Foram realizadas quatro sessões no período de dois meses. A intensidade emocional que ocupou os encontros levou à elucidação de fantasmas transgeracionais de cada um dos pais, permitindo que houvesse uma transformação gradativa na dinâmica familiar. A nomeação de conteúdos que se mantinham camuflados por essas angústias abriu espaço para que outros conflitos inter-relacionais do casal parental pudessem ser confrontados.
O bebê foi importante coadjuvante da dinâmica que acontecia nas sessões, reagindo afetivamente de modo surpreendente e decisivo para a resolução da trama colocada na cena psicanalítica.
A partir dessa experiência clínica, as analistas discutem a especificidade dessa modalidade de intervenção psicanalítica e a importância do olhar atento do pediatra para os sinais de risco que são comunicados nas consultas de puericultura e que demandam cuidadosa avaliação e discriminação do profissional de saúde mental.
SOBRE UMA DAS FORMAS DE INCLUIR A ÉTICA DA PSICANÁLISE NA POLITICA PÚBLICA na política: O IRDI Pesaro, ME   O instrumento IRDI foi construído e validado, por meio de uma pesquisa multicêntrica (Kupfer et al., 2009), com o propósito de que os pediatras incluíssem nas suas consultas de rotina o acompanhamento do desenvolvimento psíquico em bebês de até 18 meses e ainda que, por meio dos indicadores, pudessem localizar problemas neste desenvolvimento. Esta foi a demanda que a  Área de Saúde da Criança do Ministério da Saúde fez, em 2000, ao grupo de psicanalistas-pesquisadores que conduziu a pesquisa: a inclusão do aspecto “psi” no acompanhamento do desenvolvimento neuro-psico-motor realizado pelos pediatras. Ao longo destes últimos 18 anos, o acompanhamento do desenvolvimento psíquico foi perdendo valor nos instrumentos (manuais e cadernetas de saúde) do Ministério da Saúde. Entretanto, o IRDI passou a ser objeto de pesquisas, estudos e publicações tanto pelos profissionais de saúde que passaram a utilizar o IRDI em sua prática em instituições e serviços de saúde e educação, como por docentes que continuaram a desenvolver linhas de pesquisa articulando o IRDI e a saúde pública. A disseminação do IRDI em pesquisas vem mostrando que há um campo fértil que articula o IRDI com os estudos do desenvolvimento infantil, em diversas áreas e com finalidades distintas, o que fortalece, não só o campo da pesquisa em psicanálise mas, também sustenta as bases teóricas do IRDI. Constata-se de que modo a psicanálise pode e deve ajudar os profissionais de saúde não analistas no sentido de introduzir a noção de sujeito, o conceito de laço constituinte auxiliando para um efetivo trabalho de capacitação e escuta necessários para a intervenção na prevenção condição fundamental para a formação do profissional de saúde. Além disso, o IRDI aponta uma tendência para a abertura de uma escuta junto as equipes  interdisciplinares, posição que comporta uma implicação subjetiva e uma não intrusão.
Tecnologia e  primeira Infância Gimael PC   O computador, enquanto ferramenta de trabalho, informação, pesquisa e comunicação tornou-se indispensável para a nossa cultura. Embora a tecnologia faça parte da vida moderna, qual será a utilidade e o lugar adequado para os computadores e a internet na vida de bebês e crianças pequenas?
Os três primeiros anos de vida, são a base do desenvolvimento infantil, é neste período que as sinapses, as ligações entre os neurônios, acontecem mais intensamente. A estrutura básica do cérebro é formada pela complexa inter-relação entre os genes herdados, a qualidade dos vínculos estabelecidos e a formação das sinapses, estes fatores em conjunto serão responsáveis pela saúde física e mental, competências emocionais, motoras e cognitivas. Pesquisas atuais apontam para alterações na formação da estrutura cerebral quando o uso de TV e games é feito nos primeiros anos de vida.
A Academia Americana de Pediatria não recomenda o uso de televisão, vídeos, jogos de computador, DVDs ou tablets para crianças com menos de 2 anos de idade. E para crianças com mais de dois anos, a recomendação é de 1 a 2 horas por dia. 
A organização americana Zero to Three afirma que embora crianças possam aprender alguns conceitos assistindo programas educacionais na televisão ou em DVDs, eles aprendem mais e melhor através da interação com pessoas com as quais eles possuem vínculos ou através de experiências práticas.
O brincar livre, não dirigido, é um dos melhores estímulos ao desenvolvimento sadio. É brincando que a criança conhece o próprio corpo, o meio ambiente e desenvolve a capacidade de se relacionar socialmente, desenvolvendo habilidades sociais.
Pesquisas atuais comprovam que o risco dos games se tornarem um vício é muito alto devido à produção de dopamina no cérebro de crianças durante o uso.  Além da ligação ao baixo QI verbal e algumas mudanças adversas na matéria branca do cérebro ligadas à longos períodos de utilização de tecnologia. O ser humano é um ser social que só terá um bom desenvolvimento do QI verbal ao se relacionar comunicando e reconhecendo emoções. É a emoção que permite a aprendizagem oferecendo sentido e significado ao que é vivido ou experimentado.
Embora as pesquisas sobre os efeitos do uso da tecnologia no comportamento humano e na formação da estrutura do cérebro não sejam totalmente conclusivas é importante compartilharmos informações, pesquisas e aprendizados para avaliarmos os riscos e benefícios do uso da tecnologia na infância.
Trabalho de educadoras com bebê em situação de abrigamento: amor e desafios da profissão. Freiberger LS Donelli TMS Atualmente, é possível afirmar que o número de bebês, crianças e adolescentes acolhidos no país já passou de 36.929. O motivo para o acolhimento institucional pode variar desde abandono, negligência, maus tratos, até abusos físicos e psicológicos. Sendo assim, quem exerce a função de cuidados nos abrigos a essas crianças são os educadores institucionais, sendo responsáveis pela higiene, alimentação, assim como pelo afeto e pela ludicidade essencial no desenvolvimento das crianças. Dessa forma, esse estudo tem como objetivo conhecer as experiências e vivências dos educadores institucionais, bem como os desafios que encontram nessa profissão. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com a participação de duas educadoras que atuam em uma instituição de acolhimento em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Foram utilizados como instrumentos entrevistas semiestruturadas e observações, a fim de coletar dados sobre a rotina de trabalho, dificuldades, desafios e sentimentos positivos e negativos das educadoras institucionais de bebês que se encontram em situação de abrigamento. Os resultados indicam o quanto é difícil, e muitas vezes desgastante, cuidar de todas as necessidades básicas dos bebês e ainda ter tempo para transmitir carinho. Outro fato que foi explanado pelas participantes é o medo de criar um vínculo com os bebês, pois eles acabam sendo adotados ou voltando para as famílias de origem e isso causa sofrimento nas educadoras. Além disso, mesmo sendo um trabalho considerado cansativo, na perspectiva física e mental, as educadoras relatam e demostram um grande amor pela profissão e pelos bebês da instituição. Pelo fato de existir um número considerável de bebês em situação de abrigamento e as educadoras estarem em uma posição de quem representa uma figura materna, que não é uma responsabilidade simples de submeter-se, pode-se referir que os cuidados e vínculos criados entre educadoras e bebês são imprescindíveis para o desenvolvimento infantil. Com isso, é possível afirmar que o trabalho de educadora tem um grande impacto na vida das crianças abrigadas e essa pesquisa demostra a importância dessa profissão e das relações afetivas e cuidados educadora-bebê.
TRAUMATISMOS RELACIONAIS PRECOCES NA ORIGEM DA VIOLÊNCIA EXTREMA Almeida-Prado, M.C.C A partir da apresentação de uma avaliação psicológica judicial realizada junto a um menino de 10 anos, propomo-nos a abordar processos que estão na origem da violência extrema e que se mostram relacionados a traumatismos relacionais precoces contínuos e repetitivos. Constatam-se prejuízos na construção da parentalidade, já presentes no período gestacional, e interações precoces particularmente desastrosas, que se dão quando pai e mãe de futuras crianças muito violentas não exercem a “função espelho” junto ao bebê e se veem sem condições de se mostrarem capazes de oferecer-lhe um reflexo corporal, assim como um reflexo de seus estados psíquicos. Nessas circunstâncias, bebês ficam confrontados com um ambiente imprevisível e ininteligível, sem momentos harmoniosos de compartilhamento de emoções e de provimento de necessidades. Em programas de assistência pré-natal atenção especial deveria ser dada à capacitação profissional de forma a haver condições para que, além dos cuidados físicos devidos à gestação em andamento, se apreendam aquelas condições que indiquem já estar o feto em situação de risco psíquico e a necessidade de assistência psicológica precoce aos pais. Tais situações podem se mostrar ainda mais complexas quando a gestação é casual e não desejada. .
Um nome, uma ausência, uma história - a construção da subjetividade em uma gêmea siamesa Ribeiro FAC Almeida MM, Araújo SA, Tomizuka C, Nassif R, Crivellari S. , Ribas M O presente trabalho pretende explorar formas de sofrimento do bebê e a possibilidade de construção de sua subjetividade mediada por um trabalho de intervenção precoce. O trabalho será ilustrado com um caso clínico cujo atendimento se deu na forma de intervenção nas relações iniciais e psicoterapia pela equipe do Núcleo Pais-Bebês, que é parte do Ambulatório de Saúde Mental do Hospital São Paulo/UNIFESP, e abordará reflexões acerca das questões psíquicas que permeiam este caso, tais como a maternidade de gêmeos siameses, o luto presente na mãe e no bebê e suas manifestações na dupla, e a possibilidade de elaboração e apropriação da história de ambos, como base para a construção da subjetividade da criança.
UM OLHAR SENSÍVEL NA PRÁTICA COM A PRIMEIRÍSSIMA INFÂNCIA Chanan, M J   Essa formação de professores aconteceu em diversas instituições, mas a que vai me representar é a Encontros e Conexões Pedagógicas, na qual atuo desde 2016 formando profissionais que atuam com crianças de 0 a 3 anos.
O que desejo apresentar é uma experiência de trabalho como formadora de profissionais que atuam com crianças de 0 a 3 anos. AS formações acontecem em Campinas no centro de estudos Encontros e Conexões Pedagógicas, são formações semestrais com 5 encontros de 4 horas. Os participantes são de cidades da região e até mesmo de outros estados; são homens e mulheres que atuam na área da educação (como professores, coordenadores, diretores, monitoras, berçaristas) e alguns de outras áreas também. É um grupo com experiências diversas, de escolas públicas e privadas. Com essa temática da formação, apresento como diálogo a abordagem Pikler e seus princípios. Meu principal objetivo é levar conhecimento sobre essa faixa etária para garantir o que de fato é mais importante para o desenvolvimento saudável das crianças dessa faixa etária. As estratégias para alcançar esse objetivo são: análise de vídeos, leitura e discussão de textos, relatos sobre minhas observações na Associação Pikler França, dinâmicas para se colocarem no lugar dos bebês e questionamentos com uso de charges (Tonucci, Quino e Liniers). Frisando sempre que cada um precisa adaptar o conteúdo a sua realidade, mas o pouco que conseguirem mudar para melhorar a prática, já será um primeiro passo. Normalmente os grupos falam bastante, expõe suas angústias e dúvidas, percebo certo alívio de poderem colocar pra fora os questionamentos e ouvirem a prática de outros professores.  Acredito na necessidade de mais escuta e acolhimento de professores nas instituições.
Um processo doloroso de alienação e separação, um caso clínico Adalziza Maria Borges UM PROCESSO DE SEPARAÇÃO E ALIENAÇÃO DOLOROSO
Pretendemos nortear este trabalho através de um caso clínico e pensar como o contorno do colo da mãe   e a sua voz puderam amenizar o sofrimento deste bebê. Trata-se de Sarah um bebê  com  dificuldades para dormir fora do colo da mãe.  Teve de ficar durante quinze dias na UTI,  por conta de um pequeno desconforto respiratório. Nos procedimentos tais como puncionar, tirar e colocar sonda eram realizados quando ela estava dormindo.
Sarah chegou ao consultório com sete meses de idade após sua mãe ser acolhida com uma demanda de psicoterapia justificando não aguentar mais a sua filha pois ela não dormia fora de seu colo. Dizia que já estava exausta, ao ponto de querer jogá-la para bem longe. Não estava suportando esses pensamentos passarem pela sua mente.
Foi constatado no processo analítico da mãe de Sarah que as figuras femininas da família materna sofrera agressões físicas por três gerações e com a intervenção pode possibilitar um corte nesta repetição.
Resultados
Após a mãe de Sarah engrenar no processo transferencial de sua análise sugeriu-se um trabalho em conjunto com a filha. Mas foi a partir da sua análise que  foi possível  ao analista identificar a estrutura clínica para poder dar uma direção ao tratamento.  E assim a mãe foi podendo se implicar, se responsabilizar pelo seu sofrimento repercutindo na relação com seu bebê e houve mudanças na relação. Sarah passou a ser atendida em conjunto com sua mãe e o processo de separação pode ser iniciado  e  a partir da sétima sessão já dormia  tranquilamente  em seu berço.
Considerações   Finais
A relação da mãe com este bebê estava tão próxima do real que mais um pouco ela poderia forçar uma separação jogando a filha para bem longe.
Pode-se pensar que foi a partir desse processo de dor,  também da dor da filha,  que essa mãe se identificou e colou a filha em seu colo para se proteger?

Bibliografia
LACAN, JACQUES. (1974-1975) O Seminário Livro 22, RSI. Inédito.  
______________. (1964/1988) O Seminário Livro 11, Os quatro conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.       
FREUD, S. (Recordar, repetir e elaborar: novas recomendações sobre a técnica da psicanálise II.) In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud [ESB]. Rio de Janeiro: Imago, s/d.vol. XII 1996. P.163-171.
________. Sigmund. Freud. ObraS cOmpletaS vOlume 17. inibiçãO, SintOma e angúStia,. Imago. 1996.
UMA CLÍNICA INSTITUCIONAL QUE SE RECRIA CardelliniDMC   UMA CLÍNICA INSTITUCIONAL QUE SE RECRIA
  Pretendo com esse trabalho clínico numa instituição pública, mostrar a fertilidade da clínica na primeira infância, principalmente nas práticas que tem intervenções com possibilidades de transformação, e a saúde possa ser destacada ao invés da patologia.
  Considerando que a constituição psíquica do bebê humano se dá na relação com os outros, sempre aberta a novas inscrições e contingências da vida, a complexidade de caminhos não podem ser selados em diagnósticos tão fechados, uma vez que,  as intervenções clínicas têm mostrado que aberturas e transformações são possíveis nos sujeitos afetados, sobretudo nos primeiros anos de vida. Algumas referências como Freud, Andre Green, Winnicott e outros autores me acompanharão nesse trabalho.
  No âmbito institucional chegam crianças com várias problemáticas, histórias de vida com sofrimento e sintomas que demandam uma escuta que leve em conta as experiências subjetivas desses sujeitos e de suas respectivas famílias.
  O filme francês "A Infância sob Controle" de Marie Pierre Jaury (2009) traz o exame da construção do olhar que a Ciência atual tem sobre as crianças e nos mostra o modelo de sociedade em que vivemos.
  Hoje, temos questionamentos quanto ao crescente aumento dos diagnósticos de" autismos" e TDAH, às limitações do DSM e esse processo no qual uma série de comportamentos individuais, coletivos e sociais tornam-se passíveis de tratamento médico.O risco de patologização da infância é muito grande, porém, não podemos deixar de mencionar que há situações em que a intervenção médica consistente e apropriada vem  acrescentar num trabalho com ações transdisciplinares.
  Nessa perspectiva da importância da subjetividade nas relações constituintes da dimensão emocional e da singularidade da criança, recebemos nessa unidade de saúde, uma menina M. de 2anos e 10 meses em intenso sofrimento como seus pais.
  Possuidora de uma história de vida em que a mãe teve depressão  e síndrome do pânico na gestação  quando foi abandonada pelo companheiro. 
   Quando chegou fazia uso de medicação e não estava se adaptando à escola.
  Nesse sentido, a precipitação em definir um diagnóstico pode funcionar como fechamento e acabar dificultando o entendimento dos aspectos envolvidos, e portanto, a possibilidade de transformação.
Você tem fome de que? Desdobramentos Psíquicos e Problemas Alimentares na Infância Jacques, TG Rolim, JS A alimentação é um aspecto primordial na vida do sujeito associada tanto à sobrevivência física quanto à psíquica. Todavia, observa-se que algumas dificuldades podem aparecer enlaçadas à comida e ao ato de se alimentar. A temática dos problemas alimentares, muitas vezes, é apresentada aos leitores com referência aos diagnósticos de anorexia, bulimia, compulsão alimentar e entre outras classificações. A adolescência, geralmente, é a fase da vida que ganha mais destaque para o desenvolvimento dessas patologias, por ser um momento em que o corpo está em evidência, devido às mudanças físicas e psíquicas.
Entretanto, com o passar dos anos e a evolução de estudos na área, outros aspectos referentes ao tema puderam ser descobertos. Inclusive começou-se a notar que é na infância que as dificuldades com relação à alimentação se iniciam. Os problemas alimentares nessa fase de vida ganham destaque, a partir do aumento de pesquisas no campo e do aparecimento dessa demanda em outras área como, por exemplo, a pediatria e a fonoaudiologia.
Além disso, começa-se perceber que muitas manifestações sintomáticas que aparecem na adolescência estão enlaçadas à aspectos oriundos da infância. Quando tratados nessa fase da vida podem trabalhar de modo preventivo, aliviando possíveis desfechos de sofrimentos. Frente ao supracitado, o presente estudo buscou compreender os aspectos psíquicos que estão associados aos problemas alimentares na infância, com breve enfoque na recusa alimentar, perpassando por aspectos relacionados ao enlace da infância com a adolescência nas dificuldades alimentares, ao lugar do alimento, à relação mãe-bebê frente a constituição subjetiva, o sintoma na alimentação, e os desdobramentos das questões alimentares na infância.
Essa construção foi realizada por meio de revisão da literatura abrangente sobre a temática e da utilização de fragmentos de recortes clínicos e experiências obtidas através de diários de campo. Além disso, utilizou-se também trechos de um filme, que foi escolhido a partir da sua história e dos enlaces com as questões alimentares. O emprego desses recursos se respaldam como uma forma de ilustrar o que é apresentado e discutido pelo referencial teórico, buscando acompanhar à prática do que é apontado pela teoria.
Wagner e os silêncios do seu barulho Carla Braz Metzner Wagner foi encaminhado para análise em final de setembro de 2017, com diagnóstico de hiperatividade e autismo.
Estava com 5 anos e  sua agitação comunicava através do seu barulho os silêncios que habitavam dentro dele e na sua história familiar.Na sua primeira sessão, sua agitação impressiona , parecia querer fazer tudo ao mesmo tempo. Pega uma escultura de grande valor sentimental para mim,de todos os objetos na sala aquele era o mais importante para mim. Fico em dúvida se poderei  atende-lo. Mas, através da atenção flutuante e minhas associações percebo minha sensação de perda e a dele, que de alguma forma aquela agitação sem fim parecia me comunicar .
Wagner possui uma história de muitas mortes e  perdas . E esta análise que inicia mobilizando dores, falando de morte, vai gradativamente dando lugar a criação  e ao encontro, podendo nomear vazios e construir uma narrativa . Vamos percorrendo um caminho tentando encontrar a presença na ausência.