Aos colegas Pediatras da ABEBÊ
Pretendo que este seja o primeiro de muitos contatos.
O Site inaugura uma "janela" onde os pediatras poderão trocar idéias, contar suas experiências e
basicamente aproveitar a interdisciplina como ferramenta para uma melhor compreensão do bebê
e seus pais. É sabido que a potencialidade inata de uma criança não pode devenir em um sujeito
se não esta junto dos cuidados dos pais. Especialmente da mãe no começo de vida.
Os neonatologistas e pediatras deveriam estar atentos e se preocuparem com o estado e saúde
somatopsíquica do bebê. Assim poderiam "ler" no corpo do bebê manifestações como o choro,
regurgito, recusa alimentar, etc. que são testemunhas indiretas de um estado que se situa em uma
dinâmica entre o psíquico e o somático e entre o bebê e seus pais, relações que embora
verificáveis são de difícil avaliação.
Nossa formação é cartesiana. A procura da relação causa-efeito junto ao rigor e exatidão
científicos é as metas que ficam embutidas para sempre na tarefa pediátrica.
A ABEBÊ nos permite enxergar outra dimensão, mais humanista e integradora desses problemas.
Winnicott tentou influenciar os pediatras a ter esses novos olhares quando diz: "essa tal de
criança não existe sozinha. Ela é parte de uma relação".
Acrescentou que "o pediatra trata da mãe ao cuidar do filho e trata do filho quando cuida da mãe".
Por último, foi incisivo ao afirmar que " o papel essencial do pediatra é a prevenção das doenças
mentais ... se ao menos ele o soubesse!!"
Para finalizar quero afirmar que o diálogo entre pediatras, psicanalistas, sociólogos, filósofos e
outros profissionais que pensam e cuidam da família e do bebê permite precisar melhor as
condições nas quais poderiam ser feitas intervenções que visem a prevenção, promoção da
saúde e encaminhamentos precoces e por isso adequados e eficazes na clinica pediátrica.
Um abraço para todos
Leonardo Posternak
Pediatra - São Paulo
Sócio fundador da ABEBÊ.